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Médicos fazem 1ª transplante de traquéia
do mundo
O Hospital Clínico de Barcelona realizou
sem imunossupressores o primeiro transplante de traquéia
do mundo a uma mulher de 30 anos com problemas
respiratórios.
Ela tinha graves problemas respiratórios por causa de
uma tuberculose que lhe causara um colapso severo do
pulmão esquerdo, logo após a bifurcação da traquéia.
Paolo Macchiarini, do serviço de cirurgia torácica,
explicou que transplantou, em 12 de junho, a traquéia de
um homem morto por hemorragia cerebral, após fazer uma
série de 25 lavagens para eliminar do órgão todas as
células do doador e refazê-lo posteriormente com as
células da própria receptora.
Graças a este processo, que utilizou células-tronco,
trata-se do primeiro transplante no qual a paciente não
necessitará tomar imunossupressores para evitar a
rejeição de um órgão alheio, além do primeiro
transplante de traquéia do mundo.
Macchiarini assinalou que a engenharia de tecidos tornou
possível esta intervenção duplamente inovadora, já que a
traquéia transplantada é um híbrido entre o órgão do
doador e as células-tronco epiteliais de receptora, com
as quais se refez.
Ele explicou que, após ser lavada com um sistema de
detergentes enzimáticos, a traquéia ficou reduzida a uma
estrutura, livre de qualquer antígeno do doador, à qual
pouco antes da cirurgia se inseriram cerca de 100 mil
células epiteliais da paciente.
Também lhe inseriram condrócitos (células de cartilagem)
na parte externa do órgão, diferenciadas a partir de
células-tronco procedentes de sua medula óssea.
Com este processo, o órgão, de sete centímetros,
transformou-se em um híbrido mais parecido a um novo
órgão da própria paciente, que foi o que se transplantou
a ela.
Caso este processo não funcionasse, a única alternativa
médica seria a retirada de um pulmão dela, que hoje leva
uma vida quase comum, segundo o médico, cuidando
normalmente de dois filhos e sem precisar tomar nenhum
remédio, enquanto há poucos meses mal conseguia falar ou
andar.
Segundo o doutor Paolo Macchiarini, esta inovação da
biomedicina e da cirurgia pode se transformar em uma
alternativa para patologias das vias aéreas superiores
que, por enquanto, não podem ser tratadas com cirurgias
tradicionais, como más-formações congênitas ou tumores
primários.
Ele acrescentou que a aplicação clínica de
células-tronco e o fato de economizar ao receptor os
problemas derivados da imunossupressão representam um
marco na história dos transplantes.
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