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Estudante barateia balão meteorológico
Os estudantes de ensino médio Suny Watanabe e Ralf
Gunter se preparam para viajar do vale do Paraíba para o
Vale do Silício. A dupla vai apresentar um foguete e um
balão meteorológico (construídos no seu clube de
ciências) em uma reunião internacional de cientistas
profissionais em San Francisco (EUA), no dia 18. O
invento relativamente simples, concebido num exercício
didático, já interessa indústrias brasileiras.
O encontro anual é promovido pela União Geofísica
Americana e chama-se Bright STaRS (acrônimo para
Estudantes Brilhantes Treinados como Pesquisadores
Científicos). "A idéia é que estudantes de ensino médio
façam pesquisa de verdade com um cientista e se
apresentem numa conferência", disse à Folha Inés
Cifuentes, coordenadora do evento.
Lucas Lacaz
Ruiz/Folha Imagem

Grupo testa o invento de baixo custo em São José dos
Campos; invento é relativamente simples, concebido num
exercício didático
Os meninos de São José dos Campos (SP) apresentarão
pôsteres ao lado de 12 outras equipes, orientadas por
pesquisadores de universidades californianas.
A ida ao congresso foi idéia de Marcelo Saba,
pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais) que fundou o Clube de Ciências Quark em 1994
e submeteu os projetos do grupo a Cifuentes. "Ela ficou
empolgadíssima e nos convidou", conta.
A maior parte das despesas da viagem será paga com duas
bolsas de US$ 950 da união geofísica. O restante é
bancado pelas escolas e pelos pais dos garotos. O Quark
funciona em São José dos Campos num prédio com
apartamentos de pesquisadores (onde Saba mora) e um
centro cultural ligado à organização religiosa Opus Dei.
"É um pessoal católico, inofensivo", diz Watanabe, em
resposta às críticas contra a linha conservadora da
entidade.
Menina não entra no clube, explica Saba, por conta da
"educação tradicional cristã" separada para cada gênero.
(Existe outro centro na cidade ligado à Opus Dei que é
exclusivo para mulheres, mas não possui clube de
ciências.)
O balão do Quark não tem nada de muito "high tech". Oito
bexigas de festa cheias de gás hélio fazem subir no ar
uma esfera oca de isopor contendo todo o equipamento. Um
microchip de R$ 12 programado pelos próprios estudantes
coordena o funcionamento do termômetro elétrico e de
duas câmeras digitais simples.
O sistema de aterrissagem é uma resistência elétrica de
chuveiro que, ao esquentar, corta as cordas de seis das
oito bexigas. Assim, o balão cai suavemente. O invento
de baixo custo já interessa empresas do vale do Paraíba,
que têm usado equipamentos de até R$ 2.500 para medir o
perfil de temperatura do ar para controle de poluição.
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