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Descoberta pode levar à vacina contra bronquiolite
Uma equipe de cientistas argentinos descobriu por que em
1967 uma vacina contra a bronquiolite (obstrução
inflamatória dos brônquios) falhou, o que abre maior
possibilidade para criar uma imunização efetiva contra
uma doença que mata 1 milhão de crianças por mundo no
mundo, informou nesta segunda a imprensa local.
Especialistas da Fundação para a Pesquisa em
Infectologia Infantil (Infant), situada em Buenos Aires,
determinaram o motivo pelo qual uma vacina desenvolvida
em 1967 nos Estados Unidos contra a doença causou a
hospitalização de mais de 100 crianças e matou duas
delas. Fernando Polack, diretor-executivo da Infant,
explicou que o anticorpo injetado nessa vacina foi
justamente o que afetou as crianças.
"Os anticorpos têm que ter uma força especial para
impor-se ao vírus e assim bloqueá-lo. Se o anticorpo não
tem essa força, termina desencadeando uma doença
auto-imune", declarou à imprensa local Polack, que
comanda a pesquisa há anos.
"No corpo há receptores (chamados toll) que reconhecem
diferentes germes. Se a vacina é capaz de reconhecer e
ativar os receptores toll, é efetiva porque adquire a
força para ativar a bronquiolite. A vacina de 1967 não
tinha ativado os receptores toll; por isso causou o
dano", acrescentou o pesquisador. Para desenvolver a
vacina, os cientistas americanos tinham seguido o mesmo
método de Jonas Salk, que em 1955 descobriu a imunização
contra a poliomielite ao injetar o vírus morto para que
o organismo desenvolvesse a imunidade.
A fim de achar uma solução para a bronquiolite, os
pesquisadores vacinaram 200 bebês de Washington, dos
quais 80% tiveram que ser internados e dois deles, de 14
e 16 meses, morreram. "A necropsia demonstrou que tinham
os pulmões cheios de sincicial, que é o vírus
respiratório que provoca a bronquiolite", sustentou
Polack, cuja pesquisa foi publicada hoje na revista
especializada Nature Medicine.
A partir daquele episódio, nenhuma outra equipe de
pesquisa pôde desenvolver uma vacina contra a doença,
que a cada inverno argentino registra um aumento do
número de casos. No entanto, este novo desenvolvimento
"abre a porta para criar uma vacina que seja efetiva",
ressaltou Polack.
"São milhões de meninos os que a cada ano se infectam
com esse vírus e, por isso, todos os invernos há um
colapso tanto nas unidades pediátricas de Londres quanto
nas de Berazategui (na província de Buenos Aires)",
comentou a bioquímica Florencia Delgado, co-autora do
estudo.
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