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Nova teoria aponta chances de vida em lua de Júpiter
Presos sob o gelo, os oceanos escondidos de Europa, uma
das luas de Júpiter, podem ser turbulentos ao invés de
plácidos, segundo novo estudo. Tal agitação oceânica se
traduz em um maior potencial para a existência de vida.
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Robert Tyler, oceanógrafo da Universidade de Washington,
usou simulações de computador para mostrar que os
efeitos de Júpiter em sua lua Europa podem funcionar de
modo diferente do que os cientistas acreditavam. Ao
invés de apenas pressionar as partes sólidas da lua -
comprimindo as rochas e formando uma concha global de
gelo - a força implacável de Júpiter pode também gerar
ondas planetárias enormes no oceano submerso de Europa.
Essas ondas poderiam ser os veículos primários de
distribuição de energia, como calor, ao longo da lua. A
nova teoria se opõe a uma idéia muito difundida de que o
oceano de Europa é calmo.
"De repente, toda a nossa concepção se volta para
oceanos energéticos que se movimentam sob o gelo," Tyler
disse. "Considero o caso específico de Europa, mas os
resultados gerais se aplicam igualmente a outras luas
com possíveis oceanos," ele escreveu no artigo, que
aparece na Nature. Essas luas incluem Calisto e
Ganímedes de Júpiter, bem como Encélado e Titã de
Saturno.
À procura de calor
Europa orbita Júpiter de uma forma mais ou menos
alongada. Quando alcança as curvas mais pontiagudas de
cada lado, a lua estremece lançando uma energia
reprimida, que se traduz em marés.
Tyler é o primeiro a sugerir que Europa, como a Terra,
pode dissipar a maior parte das pressões de marés em
ondas oceânicas.
David Stevenson, geólogo planetário do Instituto de
Tecnologia da Califórnia em Pasadena, disse em um e-mail
que a nova teoria é "uma possibilidade interessante."
"Mas no final das contas, o que vejo aqui é uma
possibilidade que poderia ser (e provavelmente é) menos
importante que a história convencional," ele escreveu.
"Claro que seria mais instigante e relevante se não
soubéssemos nada sobre como a dissipação acontece. Mas
esse não é o caso."
Coisas da vida
A espaçonave Galileo da Nasa investigou Júpiter e suas
luas entre 1989 e 2003, enviando dados que apontavam que
o oceano de Europa poderia ser de água salgada.
"Isso não significa necessariamente que seja cloreto de
sódio (sal)", Tyler disse. "Poderia ser sulfato de
magnésio, basicamente sal de Epsom."
Jeff Kargel, geólogo filiado à Universidade do Arizona
em Tucson, sugeriu no final dos anos 1990 que os sais de
Europa poderiam ajudar a abrigar vida. Kargel apontou
que ainda existe muito a ser descoberto sobre a
composição e densidade do líquido em Europa e sua camada
de gelo.
"O grande fator é a existência de água líquida - e com
esse novo estudo apontando para uma fonte de energia -
as chances de vida aumentam."
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