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IML de Itajaí já não tem espaço para tantos corpos, diz repórter

da Folha Online

A situação em Itajaí (SC) é desoladora. O cenário, em conseqüência das chuvas, é de pós-guerra. Parece que caiu uma bomba e a cidade foi toda devastada. Desde sábado o comércio não abre, as pessoas não têm como comprar mantimentos, ir ao banco sacar dinheiro. Muitos hotéis não têm água. Restaurantes estão sem comida. As informações são do repórter da Folha enviado a Santa Catarina Vinícius Queiroz Galvão.

 


Em todo o Estado, 99 pessoas morreram em conseqüência das chuvas, informou a Defesa Civil na tarde desta quinta-feira.

O repórter relata que as pessoas não conseguem nem trabalhar. "O Hospital Bornhausen, que é o maior aqui de Itajaí, tem 780 funcionários. Metade não tem conseguido trabalhar, porque teve a casa arruinada."


Segundo Galvão, o IML (Instituto Médico Legal) já não tem mais espaço para tantos cadáveres. Faltam até sacos para embrulhar os corpos que são retirados sem vida dos escombros.

"Eu acabei de voltar do 7º Batalhão do Corpo de Bombeiros e uma coisa que é bem triste de ver é que os próprios bombeiros, que estão salvando as pessoas, perderam tudo também", diz o jornalista.

Os bombeiros não têm conseguido descansar. Desde sábado, quando começaram as primeiras ocorrências, dormem no máximo uma hora e meia por dia, encostados em qualquer lugar.

"Teve um que falou para mim que dormiu uma hora de ontem para hoje, todo molhado, com roupa de mergulho, num barco que está sendo usado para resgatar alguns sobreviventes", afirma Galvão.

Luto

O governo de Santa Catarina decretou luto oficial de três dias em razão das mortes provocadas pela chuva. O decreto assinado pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) vale a partir desta quinta-feira.

O número de pessoas que tiveram de deixar suas casas chega a 78.707. Oficialmente, 19 pessoas estão desaparecidas, mas o número pode ser maior.

Segundo a Defesa Civil, deste total, 27.410 estão desabrigados, ou seja, dependem de abrigos do poder público, e 51.297 estão desalojados --devem ficar hospedados nas casas de familiares ou amigos.

Relatos

A destruição atinge várias cidades e mudou a rotina de centenas de milhares de moradores do Estado. Um deles é publicitário Rui Fontoura, 31, morador de Blumenau. "As ruas estão sujas. Blumenau não é assim. Em qualquer lugar que se olhe existe uma marca do castigo que foi infligido à cidade. Um muro caiu ali. Aquele barranco não era assim. Aqui tinha uma casa", escreve ele em seu relato à Folha Online.

Outros ficam ilhados. É o caso do o administrador de empresas Everton Barneche Cardoso, 28, acompanhou do alto de seu apartamento o cenário de destruição se formar na cidade de Balneário Camboriú (SC).

Da segurança do 19º andar, mas ilhado e sem comunicação, Cardoso disse que mal podia imaginar a dimensão do que acontencia na cidade. "Sem energia, não podíamos saber o que aconteceu. Os telefones não funcionavam, os celulares estavam sem contato", disse.

 

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