Bali: países anunciam ter chegado a um acordo
Depois de mais de 12 horas de intensa negociação, por
volta das 2h em Bali, Indonésia (14h, em Brasília),
ministros de Estado que participam da reunião das Nações
Unidas sobre mudança climática anunciaram ter chegado a
um acordo.
O texto - que deve nortear as discussões sobre o
substituto do Protocolo de Kyoto, até 2009 - agora
precisa ser aprovado pela plenária do encontro da ONU,
no sábado, a partir das 8h (22h, em Brasília). A reunião
deveria ter sido concluída nesta sexta-feira, depois de
duas semanas, mas um impasse sobre a inclusão ou não das
metas recomendadas pelo Painel Intergovernamental para
Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), empacou
o processo.
De acordo com o ministro do Meio Ambiente da Alemanha,
Sigmar Gabriel, a solução encontrada foi deixar apenas
uma referência ao IPCC no início do texto, sem falar em
metas. No entanto, uma nota de rodapé vincularia o
documento às metas de redução de 25% a 40% da emissão de
gases até 2020. Essa teria sido a forma encontrada para
convencer os Estados Unidos a aceitar o acordo.
"Nós, da União Européia, podemos viver perfeitamente com
isso", disse Gabriel, que se declarou otimista quanto
aos "avanços" conquistados em Bali. "Vejam onde
estávamos há um ano", disse o ministro alemão. "Agora,
conseguimos trazer os Estados Unidos a bordo de um
acordo sob a égide da ONU".
O ministro alemão salientou, no entanto, ainda ser cedo
para comemorar, já que o documento precisa ser aprovado
por unanimidade pelos cerca de 190 países que participam
do encontro. O diretor de campanhas do Greenpeace,
Marcelo Furtado, não compartilha do otimismo de Sigmar
Gabriel. "A possibilidade de isso fracassar existe",
afirmou Furtado. "Nós estamos muito preocupados. Pode
sair coisa muito ruim disso, um documento sem meta
alguma. Uma situação que não vale a pena".
Um representante da Aliança dos Pequenos Países
Insulares também disse estar muito decepcionado com o
resultado das longas negociações. "O que se propõe é um
documento aguado, quando precisamos de metas claras e
urgentes", disse. A União Européia considerava
fundamental a inclusão de referências às metas
obrigatórias de cortes de emissão.
Os americanos, no entanto, eram contra qualquer menção a
essas metas - que prevêem uma redução de 25% a 40% nas
emissões dos países desenvolvidos até 2020 - e propunham
como alternativa a adoção de metas nacionais
voluntárias. Não foi divulgada uma versão definitiva do
documento que será apresentado à plenária no sábado.
Informações não confirmadas dão conta de que ele ainda
não está totalmente concluído.
A reunião da ONU sobre mudança climática começou no dia
3 de dezembro e deveria ter sido concluída nesta
sexta-feira. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, que
participou da abertura do encontro no dia 3 de dezembro,
volta a Bali neste sábado, e deve dar uma entrevista
coletiva às 10h (meia-noite de sexta-feira, em
Brasília).