Colômbia denunciará Hugo Chávez para tribunal
internacional
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou nesta
terça-feira que vai denunciar Hugo Chávez, presidente da
Venezuela, para o Tribunal Penal Internacional (TPI), em
Haia (Holanda), sob a acusação de "patrocínio e
financiamento do terrorismo". O TPI foi criado por
tratado de 1998 para julgar acusados de crimes contra a
humanidade.
Para acusar Chávez, Uribe usará documentos supostamente
encontrados no computador de Raúl Reyes, um dos
principais líderes da guerrilha Farc (Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia), morto no último sábado
(1º) durante ataque da Colômbia a uma base das Farc em
território equatoriano, o que gerou uma grave crise
diplomática entre Bogotá, Quito e Caracas. Outros 16
membros da guerrilha também morreram, segundo
informações de forças colombianas. Equador afirma que no
total 22 pessoas morreram na ação.
"A Colômbia se propõe a denunciar Hugo Chávez ao TPI por
patrocínio e financiamento de genocidas", disse Uribe
aos jornalistas, após visitar Gloria Polanco de Lozada,
ex-congressista libertada pelas Farc na última
quarta-feira (27).
O presidente colombiano disse também que dispensa
demonstrações de pêsames pelos mortos das ações da
guerrilha da parte de quem dá abrigo aos "carrascos" da
Colômbia [referindo-se à Venezuela].
Nesta terça-feira, a Colômbia --que conta com o apoio
dos Estados Unidos-- discute a crise com a OEA
(Organização dos Estados Americanos), mas este encontro
pode não reverter resultados positivos a Bogotá. Apesar
de a OEA ter estabelecido acordo de cooperação contra o
terrorismo, a organização não possui tratados
específicos sobre segurança e defesa, como o TPI, ligado
à ONU (Organização das nações Unidas).
Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu
moderação e instou aos três governos (Colômbia, Equador
e Venezuela) a dividirem suas preocupações sempre com
espírito de diálogo e cooperação.
Crise diplomática
A Colômbia alega possuir ao menos dois documentos com
informações "reveladoras" que demonstrariam a existência
de vínculos entre Equador, Venezuela e as Farc. Tais
documentos teriam sido encontrados em três computadores
capturados durante o ataque que causou a morte de Reyes,
segundo informações do diretor da polícia da Colômbia,
Óscar Naranjo.
(Da esq. para a dir.) Os presidentes da Venezuela (Hugo
Chávez), do Equador (Rafael Correa) e da Colômbia
(Álvaro Uribe)
Após Bogotá anunciar supostas provas que ligariam as
Farc a Equador e Venezuela, os dois governos reagiram.
Quito retirou seu embaixador de Bogotá, expulsou o
representante diplomático colombiano do Equador e
fortaleceu a presença militar na fronteira. Caracas
seguiu a mesma linha do Equador: expulsou o embaixador
colombiano do país e também enviou recurso militar às
fronteiras, enquanto outros países da América Latina se
mobilizam para conter a grave crise diplomática.
Mais tarde, o clima ficou ainda mais tenso, quando o
governo colombiano disse ter encontrado uma carta que
comprova doação de US$ 300 milhões de Chávez às Farc.
Tal carta também teria sido encontrada nos computadores
de Reyes.
Nesta terça, após a acusação, Chávez anunciou o
fechamento de todas as fronteiras da Venezuela com a
Colômbia, acirrando ainda mais o clima de instabilidade
na região.
Intercâmbio bilateral
Há vários meses, segundo a imprensa colombiana, a
Venezuela tem agido para substituir estrategicamente as
importações que faz da Colômbia, cedendo a ofertas de
outros países da região. Segundo o ministro venezuelano
da Agricultura, Elías Jaua, neste momento a Venezuela
não depende da Colômbia.
"Não podemos depender de um país que está em posição de
guerra com seus vizinhos", disse Jaua, citado pelo site
do jornal colombiano "El Tiempo".
Em 2007, o intercâmbio comercial bilateral entre
Venezuela e Colômbia somou US$ 5 milhões.
Com Imprensa colombiana e Efe