|
|
|
|
|
Greenpeace persegue baleeiros japoneses
contra a "caça científica"
Procura-se um baleeiro japonês. Com este
objetivo, cerca de 40 ativistas do
Greenpeace cruzam o Pacífico em busca da
frota japonesa que
partiu do porto de Shimonoseki, no
Japão, há cerca de uma semana em direção ao
oceano Antártico.
Segundo a ONG, uma frota baleeira pretende
caçar baleias-jubartes pela primeira vez
desde 1963, quando se estabeleceu a
moratória que proibiu sua caça. A espécie
está na lista oficial de espécies ameaçadas
de extinção do Ibama (Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis).
Reprodução

Navio Esperanza, do Greenpeace, que persegue
baleeiros no Pacífico; objetivo é pedir que
cessem as pesquisas com baleias
A intenção dos ecologistas é "demonstrar ao
mundo a farsa da caça científica",
justificativa utilizada pelos japoneses para
abater mais de mil baleias durante a
temporada de caça deste ano. Além das 50
jubartes, os navios japoneses devem caçar
935 baleias mink e 50 baleias fin.
Entre os ativistas do Greenpeace, está a
bióloga brasileira Leandra Gonçalves, 25,
coordenadora da campanha de baleias do
Greenpeace Brasil e chefe de pesquisa a
bordo do navio Esperanza.
Por uma conexão de satélite, ela conta do
navio em um blog os detalhes da perseguição
aos baleeiros que começou na semana passada.
Em um dos relatos do blog, ela explica por
que os ativistas a bordo do Esperanza ainda
não conseguiram encontrar a frota japonesa,
composta por quatro navios liderados pelo
Nissin Maru, de 8.044 toneladas. "Estávamos
perseguindo o navio errado."
Também do navio, Gonçalves contou à Folha
Online que desde sua partida os japoneses
estariam tentando camuflar os verdadeiros
fins da expedição. "Eles estão usando
diversas estratégias para nos despistar.
Eles saíram à noite, apagaram as luzes dos
navios, tudo para que não conseguíssemos
encontrá-los. Fomos ludibriados", desabafa.
Justificativa
A bióloga afirma que a caça para fins
científicos não passa de uma desculpa dos
japoneses para continuar com a caça
comercial, proibida no país desde 1987 pela
moratória da caça comercial mundial.
Arquivo Pessoal

Leandra Gonçalves, coordenadora do projeto
de baleias do Greenpeace Brasil."Estávamos
perseguindo o navio errado"
"O fato de terem saído na noite escura é
mais uma prova de que estão querendo se
esconder na penumbra da noite, para não
expor a caça comercial que estão realizando
pobremente disfarçada de ciência", diz
Gonçalves.
Ao contrário do que afirma a ONG, o governo
japonês se baseia na Convenção Internacional
para a Regulamentação da Pesca da Baleia,
que prevê que cada governo pode conceder uma
permissão especial autorizando a matar,
capturar e tratar baleias com propósito de
pesquisas científicas.
Em nota do consulado no Brasil, o governo
japonês informa que a frota enviada ao mar
Ártico, que pertence ao The Institute of
Cetacean Research, irá coletar informações
para melhor administrar as espécies
baleeiras da segunda fase do programa
"Japanese Whale Research Program".
Protestos

Em respostas aos diversos pedidos para que
interrompa a pesquisa com baleias, o chefe
de gabinete japonês Nobutaka Machimura
afirmou nesta segunda-feira (26) que o Japão
continuará com a caça às baleias porque "uma
pesquisa científica não pode ser
interrompida de repente".
A Austrália é uma das maiores críticas à
prática. Em outubro, os autralianos chegaram
a lançar uma campanha no Youtube contra a
caça de baleias. Veja o vídeo aqui.
Pedido
A idéia dos ecologistas do Greenpeace ao
encontrar os navios japoneses é fazer um
pedido para que eles interrompam as
atividades de caça no oceano Antártico, em
local considerado como santuário de baleias
pela CIB (Comissão Baleeira Internacional).
Itsuo Inouye/AP
O navio baleeiro Nishin Maru deixa o porto
de Shimonoseki, no Japão; governo não
pretende interromper caça científica de
baleias
"A princípio iremos fazer um pedido e outras
ações vão depender do desenrolar", diz
Gonçalves. "Queremos expor ao mundo o que
eles estão fazendo".
A ONG lançou uma campanha em seu site em que
o internauta pode assinar uma mensagem que
será enviada aos chefes de estado de quatro
países --Brasil, Alemanha, Estados Unidos e
Chile.
A mensagem é um pedido para que estes
líderes entrem em contato com o
primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, a
fim de convencê-lo a suspender a caça.
Santuário de baleias
Esta é a primeira vez que a América Latina
tem presença significativa na ação do
Greenpeace contra a caça de baleias. Além da
brasileira, um argentino, um chileno e um
panamenho estão a bordo do Esperanza.
A presença latina tem como propósito
incentivar a criação de um santuário de
baleias no Atlântico Sul. A proposta será
levada ao encontro anual da CIB, que
acontece em junho de 2008 no Chile.
"Estaremos lá em presença massiva de ONGs
latinas para tentar novamente propor o
santuário e proteger as baleias que se
reproduzem em nossa costa", diz Gonçalves.
Para ser aprovada, a proposta do santuário
de baleias no Atlântico Sul precisa ter 75%
de votos favoráveis entre os países que
participam da CIB.
Com informações de agências internacionais
|
|
|
|
|
|