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Desmatamento e mudança climática ameaçam
bacia amazônica
Um grupo internacional de cientistas
advertiu hoje que o desmatamento e a mudança
climática são a principal ameaça para a
bacia amazônica no século atual, e que é
"quase inevitável" que ocorra uma conversão
substancial das selvas em terras agrícolas
ou de pastoreio.

Em artigo publicado hoje pela revista
"Science" cientistas do Brasil, Estados
Unidos e Inglaterra dizem que a mudança
climática provocará mudanças nas chuvas em
algumas regiões e secas em outras.
A esse problema se soma a velocidade e a
magnitude das pressões humanas sobre a
riqueza florestal que literalmente perde
terreno e resistência diante dos incêndios e
do desmatamento.
Considerada a maior riqueza florestal do
mundo, com um quarto de todas as espécies do
planeta, a bacia amazônica cobre uma
superfície de 5,4 milhões de quilômetros
quadrados.
Sessenta e dois por cento do território
amazônico é do Brasil e o restante é
dividido entre Peru, Equador, Bolívia,
Guianas e Suriname.
Sua vegetação representa 15% do processo de
fotossínteses no mundo todo.
Segundo os cientistas, desde o período
cretáceo essa rica área florestal governou a
circulação atmosférica e as precipitações na
América do Sul e até no Hemisfério Norte.
Mas, em 2001 a conta tinha perdido 857.000
quilômetros quadrados de florestas tropicais
em suas margens sul e oriental por causa da
criação de gado e produção de soja.
Os cientistas disseram que é "quase
inevitável" que ocorra uma conversão
substancial das selvas amazônicas em terras
agrícolas e de pastoreio como parte do
desenvolvimento dos países amazônicos, dizem
os cientistas.
"O perigo é que a degradação do ecossistema
poderia empurrar algumas subregiões a um
regime de clima árido permanente e
enfraquecer a resistência de toda a bacia
perante uma possível seca em grande escala
causada pela mudança climática", diz o
artigo.
Paralelamente, a bacia sofreu um aumento de
temperatura de 0,25 graus centígrados por
década, e está sendo projetada uma alta de
3,3 graus para este século.
Em comparação, até o fim da última era
glacial, a bacia amazônica registrou um
aumento de temperaturas de apenas 0,1 graus
centígrados.
Para enfrentar os perigos que espreitam ao
que muitos consideram o pulmão do mundo, os
cientistas propõem um plano que inclui como
ponto prioritário frear o desmatamento.
Também propõem um maior controle do uso do
fogo nas florestas tropicais através de
programas de educação e de aplicação de
normas específicas.
Além disso, sugerem manter corredores para
as espécies migratórias e refúgios fluviais
para os sistemas aquáticos e manter a zona
noroeste do Amazonas, considerada a mais
abundante em biodiversidade e a menos
vulnerável a uma seca.
Segundo os cientistas, esse plano reduziria
a perda florestal de 47% para 28% em 2050.
"Os próximos anos representam uma
oportunidade única, talvez a última, de
manter a flexibilidade, resistência e os
serviços ecológicos da Amazônia diante da
ameaça de seca e desmatamento", dizem os
cientistas em seu relatório.
Para atingir esse objetivo, acrescenta que
será preciso uma melhor ciência
meteorológica, ecológica, econômica e social
a fim de desenvolver, aplicar e vigiar
políticas efetivas para proteger o futuro da
região.
"O outro requisito básico é a vontade
política em nível local, nacional e
internacional", segundo manifestam.
Mas, ao mesmo tempo, reconhecem que qualquer
plano para neutralizar o declínio ecológico
da Amazônia enfrenta vários desafios.
Entre eles estão incluídos a globalização
das forças do mercado, a escassez de
recursos financeiros, de livre acesso à
informação assim como uma capacidade
limitada tanto técnica como de controle por
parte das autoridades policiais.
Na preparação do artigo participaram
cientistas do e do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais, de São José dos Campos
(Brasil); da Universidade de Oxford (Reino
Unido); da Universidade William and Mary
(EUA); e da Escola de Ciências da Terra e da
Atmosfera do Instituto Tecnológico da
Geórgia (EUA).
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