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Estudo:
aumento de CO2 ameaça recifes de coral
Os recifes de
coral do planeta estão ameaçados e correm
sérios riscos se o nível de dióxido de
carbono (CO2) na atmosfera e a acidez das
águas oceânicas continuarem aumentando no
atual ritmo, segundo estudo publicado nesta
quinta-feira.
Os altos índices de acidez dissolvem
minerais na água necessários para a
calcificação dos corais, determinando sua
morte prematura, alertaram em um artiro
publicado pela revista Science os
pesquisadores da Carnegie Institution, com
sede em Washington.

A não ser que as emissões de CO2 - principal
responsável pelo aquecimento global - se
estabilizem e caiam, 98% dos hábitats dos
recifes de coral estarão imersos em águas
excessivamente ácidas, afirmaram os
oceanógrafos e co-autores do estudo Ken
Caldeira e Long Cao. Seus cálculos se
baseiam em modelos computarizados da
composição química da água, sempre em
constante mutação, em relação aos crescentes
níveis de CO2 na atmosfera - de 280 partes
por milhão (ppm) da era pré-industrial aos
atuais 380 ppm, todo o caminho até chegar a
550 ppm.
As emissões de dióxido de carbono estão em
alta especialmente por causa da atividade
humana, e sobretudo devido à queima de
combustíveis fósseis, apontaram os
cientistas. "Quase um terço do dióxido de
carbono lançado na atmosfera é absorvido
pelos oceanos, o que ajuda a retardar o
efeito estufa, mas é um grande poluidor do
oceano", explicou Caldeira. O CO2 absorvido
produz ácido carbônico, que dissolve certos
minerais, principalmente o argônio, que é
utilizado pelos corais para fazer crescer
seus esqueletos, disse.
Se o CO2 na atmosfera se estabilizar em 550
ppm, afirmou Cao, "nenhum recife de coral
poderá sobreviver a esse ambiente". Segundo
Bob Steneck, da Universidade de Maine, outro
co-autor do trabalho, quase um bilhão de
pessoas na Ásia dependem da pesca nos
recifes de coral. "Os recifes de coral estão
sentindo os efeitos de nossas ações e é
agora ou nunca o momento de atuar se
queremos salvar estas criaturas marinhas e
as formas de vida que deles dependem",
concluiu.
Os autores também apresentarão o estudo para
a União Geofísica dos Estados Unidos em São
Francisco, Califórnia.
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