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Juiz australiano declara ilegal caça de
baleias em reserva
da Efe, em Sydney
Um juiz declarou nesta terça-feira ilegal a
caça de baleias na reserva marítima
australiana na Antártida, abrindo um
precedente que impedirá empresas japonesas a
continuarem com a prática na região.
James Allsop, do Tribunal Federal, atendeu à
reivindicação apresentada em 2004 pelo grupo
ambientalista Humane Society International
contra a companhia japonesa Kyodo Senpaku
Kaisha.
Greenpeace/Divulgação

Navio baleeiro japonês Yisshin Maru, que foi
abordado por ativistas do Greenpeace no
oceano Antártico na semana passada
A companhia japonesa matou e feriu 1.253
baleias minke, nove baleias fin e um número
indeterminado de baleias jubarte no
santuário marítimo declarado pela Austrália
na Antártida, segundo a denúncia da ONG.
Segundo a sentença, a ação japonesa viola a
Lei de Conservação da Biodiversidade e
Proteção do Meio Ambiente da Austrália. Se
não suspender as suas atividades, a Kyodo
Senpaku Kaisha vai extinguir as populações
de baleias da região, disse Allsop.

Navio
Esperanza
No entanto, o juiz observou que os autores
do crime não podem ser detidos fora do
território australiano. Assim, o governo
precisa obter a jurisdição sobre o santuário
marinho da Antártida.
Pela decisão judicial, o governo australiano
deve exigir que o Japão pare de caçar
baleias na região. Mas ela só terá força
para ser aplicada se a Austrália assumir a
soberania legal sobre a reserva, criada em
2000 e não reconhecida pelo governo japonês.
Stephen Smith, ministro de Relações
Exteriores, se mostrou cauteloso diante da
sentença. Ele disse que a decisão final será
do Procurador-geral do Estado, Robert
McClelland.
O porta-voz da oposição para assuntos do
Ambiente, Greg Hunt, aconselhou o
primeiro-ministro Kevin Rudd a discutir o
assunto com o governo japonês. A postura
revela uma mudança radical entre os
conservadores, que sempre toleraram a caça
de baleias por parte do Japão.
Inicialmente, Allsop não aceitou a
reivindicação do grupo ambientalista. Na
época, o primeiro-ministro era o conservador
John Howard, que afirmava que uma condenação
judicial de uma empresa japonesa poderia
provocar um conflito diplomático.
O Tribunal Federal anulou depois a decisão
do juiz e o caso voltou a ele em 2006. O
Gabinete conservador insistia que o pedido
da Humane Society era contrário ao direito
internacional e ao Tratado da Antártida.
Mas, pouco depois de ganhar nas eleições
gerais de novembro passado, o novo Governo
trabalhista deixou claro que ia lutar contra
a atividade dos baleeiros japoneses, que já
vigia com navios e helicópteros militares
desarmados.
Na frente legal, o ministro do Meio
Ambiente, Peter Garrett, anunciou que
apoiaria qualquer requerimento nos tribunais
para impedir a caça. A mudança deu esperança
às organizações de defesa do meio ambiente.
O Japão pretende caçar neste verão mais de
1.300 baleias, com o pretexto de realizar
estudos científicos. O país ignora as
recomendações da Comissão Baleeira
Internacional para suspender o seu programa.
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