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Grupo quer diminuir a Amazônia Legal
FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha
Em meio à escalada do desmatamento que levou
o governo federal a suspender o abate de
árvores em 36 municípios e criar um esquema
especial de fiscalização, a Amazônia Legal
poderá ter sua área reduzida em até um
quarto, caso dois projetos de lei que
tramitam no Congresso sejam aprovados.
As propostas pedem a retirada de Estados da
área. Os excluídos seriam Mato Grosso,
principal foco do aumento da devastação
medida pelo Inpe nos últimos cinco meses de
2007, Tocantins e parte do Maranhão. Em toda
a Amazônia Legal, as propriedades rurais
precisam manter reservas de 80%, segundo a
legislação.
Produtores rurais e um dos autores dos
projetos argumentam que a vegetação desses
Estados não é formada em sua maioria por
floresta amazônica. Também afirmam que a
conseqüência das atuais regras leva
produtores rurais ao prejuízo.
Ambientalistas, no entanto, temem que, com
uma mudança, a degradação das matas se
agrave ainda mais.
O deputado federal Osvaldo Reis (PMDB-TO),
autor de uma proposta de retirada do
Tocantins da Amazônia Legal, diz que a
permanência do Estado na região deixa a
economia "tolhida". "Não temos área
suficiente para produzir porque o Estado
está na Amazônia Legal sem ter áreas de
mata."
O outro projeto que sugere mudanças, do
senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), já foi
aprovado em uma das comissões do Senado em
2007. Segundo dados do IBGE, Mato Grosso tem
quase metade do território em área de bioma
da Amazônia.
A Federação da Agricultura e Pecuária
mato-grossense apóia a retirada do Estado da
área. Para o presidente Rui Prado, a
inclusão de Mato Grosso na Amazônia é
"equivocada". "As pessoas que acompanham a
mídia ligam Mato Grosso com Amazônia. E isso
não é a realidade", diz. A aprovação, para
Prado, poderia amenizar a "pressão de ONGs
na atividade" agrícola. A federação do setor
no Maranhão também aprova a idéia.
O biólogo americano naturalizado brasileiro
Charles Clement, pesquisador do Instituto
Nacional de Pesquisas de Amazônia, ligado ao
governo federal, diz que uma eventual sanção
da proposta teria uma repercussão
internacional muito negativa, justamente em
um momento em que o Brasil já se sente
pressionado na área ambiental. O
desmatamento é a principal fonte brasileira
de gases do efeito estufa.
Para Clement, uma mudança também teria
conseqüências graves sobre o cerrado, que é
o bioma líder em destruição nas últimas
décadas.
O governo do Tocantins também é contrário ao
plano. Marcelo Falcão, presidente interino
do órgão ambiental do Estado, diz que
aumentaria o "desgaste ambiental" e
desorganizaria a produção agrícola local.
Desenvolvimentismo
O conceito de Amazônia Legal foi criado na
década de 1950 pelo governo federal. A
divisão foi feita para organizar
investimentos e ações na floresta. Em 2001,
uma medida provisória determinou que
propriedades rurais nos Estados incluídos no
conceito passassem a ter reservas naturais
de 80%.
Para Angelo Mazola, da Federação da
Agricultura do Tocantins, a alteração criou
uma "distorção". "O conceito [de Amazônia
Legal] é desenvolvimentista e não ambiental.
Não temos características de floresta
amazônica no Estado", diz.
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