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Estados Unidos querem acordo sobre clima até
o meio do ano
ANNE CHAON
da France Presse, em Paris
A poucos meses do fim do mandato, o governo
do presidente George W. Bush mostra
interesse em chegar a um acordo global
contra o efeito estufa, imposto assim como
às economias emergentes, pelos objetivos
internacionais obrigatórios de redução das
emissões poluentes.
"Os Estados Unidos estão prontos para fazer
parte de um acordo internacional obrigatório
de redução das emissões dos gases causadores
do efeito estufa em um acordo segundo o qual
todas as grandes economias assumiriam
compromissos similares", declarou Daniel
Price, conselheiro do presidente Bush para
as negociações econômicas internacionais.
Ante a imprensa, em Paris, ele deu a
entender que este acordo "sobre um objetivo
de redução a longo prazo" --que o governo
Bush sempre rejeitou-- poderia ser anunciado
durante a cúpula dos oito países mais
industrializados, o G8, que acontece no
início de julho no Japão.
"Trabalhamos por uma declaração de
governantes por ocasião da reunião do G8",
disse ele. "É frustrante ver a insistência
em sugerir que os Estados Unidos preferem
medidas voluntárias: quero dizer com clareza
que isso não é verdade".
Daniel Price, acompanhado de Jim Connaughton,
o assessor para o meio ambiente do
presidente americano, está em Paris para
preparar a reunião das principais economias
poluentes --os 16 países responsáveis por
80% das emissões mundiais-- prevista para
acontecer em abril na capital francesa.
Desconfiança
A União Européia (UE) recebeu com
desconfiança esta iniciativa americana da
MEM (Major Economies Meeting), lançada
durante uma cúpula do G8 na cidade alemã de
Heiligendamm, em junho de 2007. A
autoridades européias disseram considerar
que a sugestão ameaçava atrapalhar as
negociações conduzidas pela ONU --a
convenção contra as mudanças climáticas do
Protocolo de Kyoto. Um diplomata europeu
afirmou, na época, que convinha cortar o mal
pela raiz.
"O processo MEM visa a comprar, enriquecer e
apoiar o processo da ONU", insistiu Price
nesta segunda-feira.
O Protocolo de Kyoto, que entre os países
desenvolvidos só não foi ratificado pelos
Estados Unidos, impõe índices de redução de
emissões de gases poluentes a serem
atingidos até 2012.
Em dezembro passado em Bali, a comunidade
internacional concordou que teria até do fim
de 2009 para definir o futuro regime de luta
contra o efeito estufa para além de 2012. A
UE fixou unilateralmente uma redução de 20%
de suas emissões até 2020 --e de menos 30%
se um acordo internacional decidir-- mas,
por enquanto, não obteve muito apoio.
"Dissemos que os Estados Unidos são parte
interessada de um acordo pós-2012, mas não
há só um único mecanismo para resolver este
problema", afirmou Daniel Price.
"É tempo de diálogo e as conversas entre os
Estados Unidos e a UE evolui. É preciso
trabalhar junto para garantir a adesão de
todas as grandes economias" em um acordo.
Quanto aos que esperam a mudança do líder da
Casa Branca para acelerar as negociações
pós-Kyoto, Price preveniu: "A futura
administração não julga aceitável, nem
economicamente, um acordo que não imponha
compromissos às economias em
desenvolvimento. Não é nem democrata, nem
republicano, é simplesmente realista",
acrescentou ele, revelando que até 2020, "a
China vai emitir duas vezes mais gases
causadores do efeito estufa que a América e
a UE juntas".
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