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Estudo detecta abundância de micróbios na
chuva e na neve
Neve e chuva caindo na sua cabeça não
incluem apenas gelo e água. Um estudo feito
em várias partes do mundo mostrou que um bom
número de micróbios vêm junto, pois eles
surpreendentemente estão envolvidos
diretamente com o processo da precipitação.
Mas não é preciso ter medo de uma chuva de
doenças. A pesquisa mostrou que no caso da
neve, são principalmente patógenos de
plantas --micróbios causadores de doenças--
que são transportados.
"Não conheço nenhum patógeno humano capaz de
catalisar a formação de gelo, o foco do
nosso estudo. Os organismos mais estudados
que têm essa propriedade são patógenos de
plantas, pois isso deve ser um meio pelo
qual eles facilitam a transferência pela
atmosfera para uma nova planta hospedeira",
disse à Folha o líder da equipe de cinco
pesquisadores, Brent Christner, da
Universidade Estadual da Louisiana, em Baton
Rouge.
"Ao fazer isso, os patógenos podem ter um
efeito ainda não reconhecido no ciclo de
precipitação", afirma Christner. O estudo
promete ser útil para a investigação das
relações entre o clima e o universo dos
organismos vivos, a biosfera.
A neve, e também boa parte da chuva, surgem
do crescimento de pequenos cristais de gelo
no interior das nuvens. O gelo se forma em
torno de partículas chamadas aerossóis.
Diversos tipos de partículas podem servir
como "nucleadores" do gelo, incluindo seres
vivos, como bactérias.
Abundância
Apesar de já conhecidos dos cientistas faz
40 anos, não existe ainda uma estimativa
sobre esses componentes biológicos na
atmosfera. O estudo de Christner e colegas
mostrou agora uma inesperada abundância
deles.
Eles coletaram amostras de neve recentemente
caída em vários locais do mundo, na França,
no estado americano de Montana e também na
região da Antártida.
A técnica envolveu amostras de pelo menos 1
kg de neve fresca coletadas de forma
asséptica e depois testadas para checagem do
componente biológico.
"O resultado surpreendente foi que em cada
amostra que nós analisamos nós fomos capazes
de detectar nucleadores de gelo em
temperatura mais mornas, e a grande maioria
era de origem biológica", declarou Christner
em uma entrevista divulgada pela revista
científica americana "Science" (www.sciencemag.org).
Os nucleadores biológicos permitem à água
congelar em temperaturas mais quentes do que
normalmente ocorre. As amostras incluíam
células e fragmentos de células. Na neve da
Antártida, o material biológico estava em
menor quantidade do que nas dos Estados
Unidos e da França.
Chuva induzida
"Em termos de saúde humana não existe
realmente nada para se preocupar. Mas o
mesmo não pode ser dito sobre plantas. Mas,
por outro lado, isso pode não ser tão ruim
para elas, porque esses micróbios induzem
precipitação, que é obviamente importante
para a planta", conclui o pesquisador.
No futuro, poderia ser possível induzir
chuva em regiões áridas ao se plantar mais
espécimes de plantas que abrigam mais
patógenos, ele especula.
"Nossos resultados indicam que essas
partículas estão amplamente dispersas na
atmosfera e que, se presentes nas nuvens,
elas podem ter um papel importante na
iniciação da formação de gelo, especialmente
quando as temperaturas mínimas das nuvens
são relativamente quentes", escreveram os
pesquisadores em uma nota breve publicada há
duas semanas na "Science".
Embora não relatado no trabalho publicado na
revista, os cientistas também obtiveram
resultados semelhantes e surpreendentes com
nucleadores biológicos encontrados em
amostras de chuva na região de Louisiana,
sul dos EUA.
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