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Brasil é exemplo de desvantagem do álcool,
diz jornal britânico
A experiência do Brasil com o álcool pode
servir como um exemplo para o mundo das
desvantagens apresentadas pela suposta
"revolução energética" criada pelos
biocombustíveis, segundo uma análise
publicada pelo jornal britânico "The
Independent" nesta terça-feira.

O jornal diz que apesar de os
biocombustíveis serem quase irresistíveis
aos políticos que querem ser vistos como
preocupados com os efeitos da mudança
climática, a produção do álcool no Brasil
tem, no fim das contas, um efeito negativo
no combate ao problema porque tem gerado
desmatamento e poluição.
"A indústria do álcool no Brasil está ligada
à poluição do ar e da água em uma escala
épica, ao desmatamento da floresta amazônia
e da mata atlântica e à destruição da savana
na América Latina", diz o vice-editor de
assuntos internacionais do jornal, Daniel
Howden.
Segundo o Independent, as conseqüências da
"modesta redução" provocada pelo álcool na
emissão de dióxido de carbono nas ruas das
cidades brasileiras podem ser vistas nas
"gigantescas cicatrizes das plantações de
soja na Amazônia" e nas "nuvens negras dos
campos de cana-de açúcar em chamas."
O jornal diz que o efeito final do álcool no
combate às emissões que provocam as mudanças
climáticas é negativo.
"Apesar dos níveis modestos de
industrialização na maior nação da América
Latina, o Brasil passou a ser o quarto país
do mundo em emissão de gases de efeito
estufa", afirma o Independent.
Segundo o jornal, isso está sendo causado
por um desmatamento desenfreado, um fenômeno
que, por sua vez, segue os passos do aumento
no preço dos produtos agrícolas.
"Enquanto os preços dos produtos usados na
produção de biocombustíveis aumentavam nos
últimos 18 meses, as taxas de desmatamento
quebraram todos os recordes", afirma o
jornal.
O Independent diz que, ao mesmo tempo em que
o mundo acorda para as ameaças da mudança
climática, "incentivos perversos causam um
ataque aos pulmões do planeta."
Howden diz que o ambientalista brasileiro
Fábio Feldman, que ajudou a passar a lei
estipulando o mínimo de 23% de álcool a ser
adicianado a todos os combustíveis, está
agora preocupado com o legado da decisão.
"Algumas plantações de cana-de-açúcar são do
tamanho de países europeus - essas
monoculturas imensas têm substituído
ecossistemas importantes", diz Feldman,
segundo o jornal.
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