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Avião espião investiga desmatamento na
Amazônia
HUDSON CORRÊA
, em Brasília
Um avião espião da FAB (Força Aérea
Brasileira) que capta imagens de alta
resolução está sendo usado em uma "perícia"
nos 36 municípios responsáveis por 50% da
devastação recente na Amazônia.
O sobrevôo pode acabar com as dúvidas sobre
a extensão da área devastada estimada com
dados de satélites analisados pelo Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
As informações são questionadas pelo
governador de Mato Grosso, Blairo Maggi
(PR).
Sipam

Software demarca desmate em Marcelândia, no
Mato Grosso; governo usa avião espião para
investigar desmate na Amazônia
Com resolução de imagem de seis metros
--cerca de cinco vezes melhor do que a usada
pelo Prodes (Projeto de Estimativa de
Desflorestamento da Amazônia), do Inpe--, o
mapeamento do avião R-99B apresentará com
precisão a área desmatada nas cidades
sobrevoadas. Além de mais preciso que os
satélites Landsat e CBERS, usados pelo
Prodes, o avião espião tem a vantagem de não
ser prejudicado por nuvens.
O R-99B da FAB já realizou 94 horas e 15
minutos de vôo nesta missão. A estimativa é
que o trabalho envolva no mínimo 400 horas,
ao custo de cerca de US$ 1 milhão.
As imagens captadas pelo R-99B são
processadas pelo Sipam (Sistema de Proteção
da Amazônia), órgão vinculado à Casa Civil,
que concluiu na semana passada o mapeamento
de uma área de 264 mil quilômetros quadrados
em municípios de Mato Grosso.
O trabalho com o avião da FAB, segundo o
Sipam, pode ser chamado "de perícia que
servirá como prova" para multar e mover
ações judiciais contra o desmatamento
ilegal.
Para o diretor-geral do centro gestor e
operacional do sistema, Marcelo de Carvalho
Lopes, não há como contestar as imagens. "Dá
para ver até curvas de nível", afirmou,
referindo-se aos patamares escavados em
áreas cultivadas em terras com morros.
O trabalho iniciado em março ocorrerá nos 36
municípios amazônidas que estão sob embargo
imposto pelo governo federal --proibidos de
desmatar até que fique claro quais são os
culpados pela devastação recente.
Juntos, todos os municípios da lista têm 790
mil quilômetros quadrados (equivalente à
soma das áreas de RJ, SP, ES, PR, SC, PE e
RN, na conta da FAB). A expectativa é que o
sobrevôo de todas a áreas a serem analisadas
dure 45 dias.
O Sipam não divulgou, porém, uma estimativa
do desmatamento real nas regiões já
sobrevoadas, pois afirma que processa as
imagens sem interpretar informações. Os
dados serão analisados pelo Ministério do
Meio Ambiente --foi a pasta de Marina Silva
que encomendou o trabalho.
Cerco fechado
Não há a intenção, segundo o ministério, de
confrontar as imagens captadas pelo avião da
FAB com os dados sobre desmatamento obtidos
com satélites usados pelo Inpe.
O Ministério do Meio Ambiente diz que os
desmatamentos passaram a ocorrer em área
cada vez menor e que o mapeamento da FAB
fecha o cerco contra esses infratores.
Mato Grosso foi o ponto inicial do trabalho
porque, na relação de municípios com maior
desmatamento de agosto a dezembro de 2007,
tinha sete dos dez primeiros colocados.
O município líder foi Marcelândia, um dos
primeiros alvos dos sobrevôos.
Os dados captados por um radar do avião
chegam ao Sipam em Manaus (AM) como se
fossem uma fita VHS de vídeo. Um programa de
computador transforma os dados corridos em
imagens e demarca a área desmatada. Os
aviões R-99 são conhecidos como "olhos e
ouvidos da FAB" e foram desenvolvidas pela
Embraer a partir de jatos ERJ 145.
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