|
|
|
Área protegida em SP vai restringir pesca de
arrasto
AFRA BALAZINA
O Estado de São Paulo deve proibir a pesca
de arrasto de parelha (uso de rede presa a
dois barcos) perto da costa. Em três
decretos que devem ser assinados pelo
governador José Serra (PSDB), em 8 de junho,
o governo passa a considerar a prática
predatória e deve mantê-la longe do litoral
e das ilhas.

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, serão
criadas três APAs (Áreas de Proteção
Ambiental) marinhas: do litoral norte, do
litoral sul e do litoral centro. São as
regiões onde a pesca de arrasto de parelha
será vetada. Juntas, elas têm 1,1 milhão de
hectares.
A Secretaria do Meio Ambiente prevê gastar
R$ 2,2 milhões na compra de equipamentos
para fazer a fiscalização das APAs. Devem
ser adquiridas seis embarcações com dois
motores cada, entre outros equipamentos. A
licitação será aberta na próxima semana.
No total, 90 policiais ambientais ficarão
encarregados da fiscalização. Serão 30 em
cada APA. Segundo o secretário estadual Xico
Graziano (Meio Ambiente), os decretos darão
prerrogativa jurídica ao Estado para
fiscalizar. Para ele, hoje há "um vazio de
atuação".
Pesca amadora
As APAs são unidades de conservação de uso
sustentável --estão em uma categoria não tão
restritiva quanto a dos parques. Por isso,
segundo a secretaria, provavelmente a pesca
amadora e a artesanal serão mantidas, mas
isso só será definido após a discussão com
as comunidades locais em audiências
públicas. A primeira acontece amanhã, em
Iguape.
"Nosso foco é a pesca predatória e essa
interferência extremamente danosa que a
pesca de arrasto está provocando,
especialmente no fundo do mar, aos corais",
disse Graziano.
De acordo com ele, os barcos que realizam
esse tipo de pesca estão cada vez maiores,
assim como as redes. "Há redes com dois mil
metros."
O porta-voz da Polícia Militar Ambiental,
major Milton Nomura, afirma que os policiais
encarregados de monitorar o local hoje, em
razão da falta de equipamentos, quase só
trabalham em terra. "O investimento vai
remediar essa deficiência e permitirá que se
previna o dano", disse.
Hoje, os policiais possuem oito barcos
menores, que não são seguros em alto-mar.
O presidente da Federação dos Pescadores do
Estado de São Paulo, Tsuneo Okida, apóia a
medida. Ele afirma que os pescadores
artesanais usam barcos individuais para
pegar, sobretudo, camarões sete-barbas e não
serão afetados.
Presença militar
Segundo Graziano, a Marinha apóia o projeto
e vai colocar policiais ambientais em suas
embarcações maiores.
Os militares são criticados por
ambientalistas por utilizarem um trecho da
ilha de Alcatrazes como alvo para exercícios
de tiros. Segundo Graziano, essas atividades
poderão continuar, apesar de a área ter se
tornado uma APA. De acordo com ele, o
Ministério do Meio Ambiente não se opõe aos
exercícios na ilha. "Eu conversei com [o
secretário-executivo do Ministério de Meio
Ambiente, João Paulo] Capobianco e ele
afirmou que há razões fundamentadas para que
a atividade continue", disse Graziano.
Segundo o governo, existem 17 espécies de
peixes marinhos consideradas ameaçadas de
extinção na "lista vermelha" paulista. Além
disso, o litoral é importante área de
alimentação para espécies de tartarugas.
|
|
|
|