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Siderúrgica lidera ranking de indústrias
poluidoras em São Paulo
AFRA BALAZINA
A Secretaria Estadual do Meio Ambiente
divulgou na quarta-feira (23) na internet a
lista das cem indústrias paulistas campeãs
em emissão de gás carbônico (CO2), o
principal gás de efeito estufa.
A Cosipa, em Cubatão, é a primeira do
ranking, seguida por três refinarias da
Petrobras --a Replan, em Paulínia, a Revap,
em São José dos Campos, e a RPBC, também em
Cubatão.
No total, as oito indústrias que mais emitem
o poluente em São Paulo são responsáveis por
63% das emissões do setor, ou 18,2 milhões
de toneladas ao ano.
No total, as cem indústrias do levantamento
emitem 29 milhões de toneladas ao ano.
O setor petroquímico é o que tem maior
potencial de emissão. Na seqüência, está o
de aço e ferro-gusa e, depois, o de minerais
não-metálicos.
Para realizar o inventário, foram
selecionadas 371 empresas do Estado a partir
da relação das indústrias com maior
potencial de emissão de CO2.
De forma voluntária, 329 empresas enviaram
as informações solicitadas.
Das indústrias que compõem o levantamento,
54,1% declararam ter previsão de ampliação
nos próximos cinco anos que implicarão
aumento das emissões estimadas no
inventário.
O secretário estadual Xico Graziano (Meio
Ambiente) afirma que a avaliação deve ser
feita a cada dois anos, de forma a
acompanhar e "atestar as melhorias" no
setor.
Com a lista, afirmou ele, o Estado demonstra
sua preocupação com a questão do aquecimento
global e entra, dessa forma, na agenda
mundial.
Segundo Marcelo Minelli, diretor de
Engenharia, Tecnologia e Qualidade Ambiental
da Cetesb (agência ambiental paulista), as
indústrias listadas não chegam a ser uma
surpresa. "São as mesmas suspeitas de
sempre. Mas é importante ter os dados para
acompanhar e cobrar reduções."
As estimativas de emissão foram baseadas na
metodologia simplificada do IPCC (Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas),
e considerou o consumo de combustível e a
produção industrial informada por cada
empresa.
Para José Goldemberg, ex-secretário estadual
do Meio Ambiente e idealizador do
inventário, a identificação dos grandes
setores emissores de CO2 serve como um
incentivo à adoção de metas de redução, sem
que isso seja um instrumento punitivo.
O próximo passo, segundo Graziano, é fazer
inventários de outros setores que emitem o
gás de efeito estufa, como os de energia,
transporte e comércio.
"O fato de as empresas fornecerem
voluntariamente as informações mostra que a
indústria não tem nada a temer", afirmou
Nelson Pereira dos Reis, diretor do
departamento de meio ambiente da Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo).
No entanto, ele disse considerar
"extemporânea a divulgação [da lista], pois
não vai ajudar em absolutamente nada". De
acordo com Reis, entre 2001 e 2006 a
indústria química/petroquímica reduziu suas
emissões em 15%.
Medidas para redução
A Cosipa afirmou que o processo siderúrgico
gera emissão de CO2 e que as siderúrgicas
vêm trabalhando mundialmente "para otimizar
a sua matriz energética de forma a reduzir a
quantidade de energia para produção de aço".
"Nos últimos 10 anos, a Cosipa investiu US$
336 milhões em gestão e equipamentos de
controle ambiental e tem adquirido
sistematicamente equipamentos com a melhor
tecnologia mundial", afirmou.
A empresa citou ainda ações como a
"substituição do consumo de óleo combustível
por gás natural, que tem um fator de emissão
20% menor" e "a substituição de caldeiras
por outras de alta eficiência".
De acordo com a Petrobras, todas as suas
refinarias seguem rigorosamente a legislação
dos Estados onde estão instaladas. A empresa
afirma que tem investido para reduzir as
emissões e que, até 2012, gastará US$ 8,5
bilhões na melhoria dos combustíveis.
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