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PF desbarata em MT esquema de comércio
ilegal de madeira
RODRIGO VARGAS
em Campo Grande
A Polícia Federal deflagrou ontem, em 14
municípios de Mato Grosso, uma operação para
combater a extração e o comércio ilegal de
madeira. Dos 67 mandados de prisão expedidos
pela Justiça Federal, 29 se referiam a
servidores de órgãos públicos como a Sema
(Secretaria Estadual do Meio Ambiente), a
Dema (Delegacia Estadual do Meio Ambiente),
o Indea (Instituto de Defesa Agropecuária de
Mato Grosso) e a Polícia Rodoviária Federal.
Todos são suspeitos de envolvimento em um
esquema de propinas que, segundo a PF,
assegurava o livre trânsito de madeira
extraída ilegalmente da Amazônia para as
regiões Sul e Sudeste --São Paulo e Santa
Catarina, principalmente.
Batizada como Termes --segundo a PF, em
referência à expressão latina que quer dizer
vermes e está na origem da palavra
portuguesa térmite, ou cupim--, a operação
mobilizou 250 policiais federais e 20 homens
da Força Nacional de Segurança.
Foram cumpridos 58 mandados de busca e
apreensão e, até a conclusão da edição, 61
pessoas haviam sido presas, entre
servidores, policiais, madeireiros e
despachantes.
Segundo a PF, o esquema funcionava por meio
de três focos de corrupção independentes. O
primeiro deles funcionava na Sema, onde a
propina servia, principalmente, para
acelerar o trâmite de projetos de exploração
de madeira.
"Cadastramentos eram concluídos em dois
dias, quando o prazo normal é de 40 dias, em
média", disse o delegado da PF Carlos
Eduardo Fistarol, que chefiou a
investigação.
De posse de licenciamentos para a exploração
legal de madeira, os madeireiros usavam
esses documentos para "esquentar" a produção
retirada de forma ilegal. Para evitar que a
fraude fosse descoberta --as autorizações e
a nota fiscal especificam a variedade de
madeira--, havia o pagamento a servidores do
Indea, responsáveis pela identificação da
madeira contida nas cargas.
O terceiro núcleo funcionava na Polícia
Rodoviária Federal e, segundo a PF, envolvia
ao menos dez agentes. Cooptados pela
advogada Silvana Moura Valente, ex-mulher de
um policial rodoviário, liberavam caminhões
apreendidos com cargas de madeira irregular,
diz a PF.
"Demonstra-se assim (...) a atuação dos
servidores públicos, intermediários e
madeireiros, voltada à fraude ao controle
estatal no tocante aos produtos florestais,
tanto no procedimento inicial para a
exploração dos mesmos quanto em sua
comercialização final, quando a madeira é
classificada", diz despacho do juiz Julier
Sebastião da Silva, da 1ª Vara da Justiça
Federal, ao decretar as prisões.
A investigação começou em maio de 2007 e não
flagrou só crimes ambientais. Por escutas, a
PF descobriu que policiais rodoviários
federais tramavam um homicídio, que acabou
concretizado. A descoberta levou à abertura
de outro processo.
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