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Para encerrar polêmica com MT, Inpe diz que seu sistema é eficaz
FÁBIO AMATO
em São José dos Campos
AFRA BALAZINA
Enviada especial da Folha a São José dos Campos
Para tentar colocar fim à controvérsia com o governo de Mato Grosso em torno dos
dados que apontam o Estado como campeão de desmatamento, o Inpe divulgou ontem
um relatório em que conclui que o sistema Deter é "eficiente" e que a proporção
de alertas não confirmados como desmatamento é menor do que 6%.

O documento mostra que o Deter é eficiente para indicar a ocorrência de
desmatamento por corte raso. Mas não é o sistema mais adequado para mapear o
processo de degradação florestal, pois subestima e detecta, em geral, processos
já nos estados finais de degradação.
O Inpe também checou fotos de um relatório da Secretaria de Estado do Meio
Ambiente de MT. De 854 fotos, foram consideradas em condições de análise 353. A
partir delas, foram vistas as imagens correspondentes de satélite. Concluiu-se
que 57,2% dos casos eram de degradação progressiva da floresta e 39%, corte
raso.
O governo de MT só considera desmatamento o corte raso --estágio final da
degradação, quando a floresta dá lugar a pastagem e arbustos.
Gilberto Câmara, diretor do Inpe, afirma que os instrumentos de fiscalização
precisam melhorar. "Não estamos satisfeitos hoje, mas é o que existe."
Ele disse que, a partir de 2011, haverá novos satélites. Outra medida será usar,
de forma complementar, dados do satélite japonês Alos, que não sofre influência
das nuvens.
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