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Sapo que toma sol pode ser chave para salvar anfíbios
Cientistas da Universidade de Manchester, no Reino Unido, afirmaram que sapos
que gostam de tomar sol em árvores podem ser a resposta para compreender como um
fungo mortal está aniquilando anfíbios do mundo todo.
O fungo quitrídio está ligado à extinção de muitos anfíbios em vários países.
Agora, os cientistas estão usando uma tecnologia não invasiva para registrar
imagens e descobrir como alguns sapos da América Central conseguem vencer a
doença causada pelo fungo.
A maioria dos sapos evita exposição prolongada ao sol, pois a luz e o calor seco
acabam ressecando a pele desse anfíbio. Mas alguns sapos da Costa Rica conseguem
viver bem nestas condições.
"Eles ficam no sol por longos períodos sem se prejudicarem. Mas, até agora,
ninguém conseguiu descobrir como eles fazem isso", disse Andrew Gray, curador de
estudos dos répteis no museu de Manchester, que mantém uma grande coleção de
sapos dessa região.
Desafio
Segundo Gray o desafio era descobrir formas de examinar a pele desses sapos em
detalhe sem machucá-los, já que alguns são de espécies muito ameaçadas.
O pesquisador então se uniu a uma equipe de físicos do Instituto de Ciência do
Fóton da Universidade de Manchester, que estavam trabalhando com uma nova
tecnologia para registro de imagens chamada Tomografia de Coerência Ótica (OCT,
na sigla em inglês), para uso médico.
A OCT revelou que os sapos em questão tinham um pigmento diferente na pele,
chamado pterorhodin, que permitia que os sapos refletissem a luz do espectro
infravermelho, em vez de absorvê-la. A melanina, o pigmento encontrado
normalmente na pele, absorve a luz.
Alguns acreditam que os sapos podem refletir a luz para que possam se esconder
nas folhas onde ficam, que também refletem esse mesmo comprimento de onda.
Assim, os sapos se escondem de predadores que conseguem enxergar apenas dentro
da escala de infravermelho.
"Acreditamos que os sapos também estão refletindo a luz e o calor para regular a
temperatura, para esfriar o próprio corpo. A superfície da pele é quente,
enquanto o corpo permanece frio", disse Andrew Gray. Alguns desses sapos que
tomam sol conseguem até exibir um brilho levemente metálico quando estão no sol,
acrescentou o cientista.
Temperatura
Para Gray, o efeito reflexivo na estrutura da pele desse animais revelada pela
OCT pode ajudar os cientistas a compreender como o fungo quitrídio (ou
Batrachochytrium dendrobatidis) está afetando sapos.
"O fungo quitrídio vive na pele do sapo, mas consegue viver apenas em uma certa
temperatura."
"Foi mostrado em sapos fora de seu ambiente natural que, se a temperatura da
pele for elevada por períodos curtos, os fungos desaparecem", disse o cientista.
"Nós pensamos: e se os sapos que tomam sol estiverem fazendo isso naturalmente?
E se for a defesa natural contra o fungo?'"
Se o ajuste de temperatura está ligado ao fungo quitrídio, as recentes mudanças
climáticas nas regiões onde vivem os sapos podem ter afetado sua habilidade de
combater infecções, causando as grandes quedas nos números de sapos, disse Gray.
"Na Costa Rica, na floresta tropical de Monteverde, as condições mudaram muito
nos últimos dez anos. Atualmente, existe mais cobertura de nuvens, o que deixa
os sapos com menos oportunidade para tomar sol e para combater o fungo
sozinhos", acrescentou.
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