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Ambientalistas preparam troféu "motosserra" para parlamentares que agridem a
natureza
GABRIELA GUERREIRO
Com humor e dados, ambientalistas vão trabalhar para evitar o avanço dos
ruralistas no Congresso. A idéia é acompanhar a atuação dos 513 deputados e 81
senadores no Congresso Nacional ao longo deste ano. O ranking vai pontuar de 0 a
10 a forma como cada um deles se manifesta em relação aos temas ambientais. Aos
vitoriosos, será concedido o troféu "motosserra" --símbolo da agressão ao meio
ambiente. Mas os comandos das ONGs (organizações não-governamentais)
ambientalistas avisam que não vão partir para a guerra.
"A idéia não é apontar o dedo, mas é estimular que todos venham para a
legalidade", afirmou Mário Mantovani, da SOS Mata Atlântica. "Não queremos
guerra nem embate. A idéia é não é dizer 'amigo ou inimigo do meio ambiente'.
Mas buscar a redução da ilegalidade", disse ele.
No ano passado, as ONGs elegeram simbolicamente o governador do Mato Grosso,
Blairo Maggi (PR), como o detentor do troféu "motosserra de ouro". No começo do
mês, Maggi disse que os números de desmatamento na Amazônia, por exemplo, "criam
muito alarde", dando a entender que há um exagero nos dados --depois do Mato
Grosso ser apontado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) como
um dos líderes no ranking do desmatamento no país.
Na semana passada, os representantes de várias ONGs (organizações
não-governamentais), como SOS Mata Atlântica, WWF e Greenpeace, entre outras,
estiveram reunidos com os deputados da Frente Parlamentar em Defesa do Meio
Ambiente, em Brasília. Na ocasião, acertaram como seria executada a ação para
bloquear o avanço dos ruralistas.
Parlamentares e ambientalistas temem que o avanço de propostas, como a que trata
da concessão de benefícios para produtores rurais que não seguem normas
ambientais, avancem sua tramitação no Congresso.
Durante a reunião, os deputados apelaram aos dirigentes das entidades para que
atuem no alerta sobre os riscos que essas propostas podem provocar ao meio
ambiente.
Paralelamente, os representantes das ONGs resolveram intensificar a campanha no
Congresso de esclarecimentos de medidas que estão em discussão na Câmara e no
Senado.
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