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Planta sobe montanha para fugir do calor
As plantas estão fugindo do calor provocado pelo aquecimento do planeta. Um
estudo com vegetais de montanha na França mostra que eles estão vivendo cada vez
mais alto, na direção do frio --subiram em média 29,4 metros por década entre
1905 e 2005.
"O aspecto mais importante da nossa pesquisa é mostrar que a mudança climática
está causando conseqüências significativas em um grande conjunto de espécies de
plantas", declarou Jonathan Lenoir, em comunicado da revista "Science", que
publica na edição de hoje o artigo descrevendo o estudo.
Lenoir, pesquisador do Laboratório de Estudo dos Recursos de Florestas e
Bosques, de Nancy, França, e mais quatro colegas --incluindo um cientista
chileno-- analisaram dois grandes conjuntos de dados de plantas em regiões de
montanha do país europeu.
Em entrevista coletiva por telefone, Pablo Marquet, da Pontifícia Universidade
Católica do Chile, disse que o estudo demonstrou que não só as espécies estão se
deslocando, mas que estão indo para toda parte, e que isso valeria também para
outras regiões, "permitindo nos situar em meio a um mar de espécies em
movimento".
Para Marquet, este é o primeiro trabalho que permite dizer com confiança que
espécies de planta estão se movendo por conta do aquecimento global, e que foi
possível demonstrar isso porque outros fatores de mudança que poderiam afetar a
pesquisa --como o uso da terra, ou o perda de nitrogênio-- foram controlados.
Foram selecionadas 171 espécies de planta, que incluíam desde árvores e arbustos
até gramíneas. Para ter mais confiabilidade dos dados, Lenoir e colegas
procuraram estudar as espécies mais comuns, deixando as mais raras ou sensíveis
de lado. Apesar de existirem 2.853 espécies nas bases de dados, essas 171
representavam 62% do total de ocorrências.
Equador ou Antártida?
Que o aquecimento está afetando a distribuição de espécies de plantas e animais
já é sabido. Mas, até agora, os estudos se restringiram mais a variações de
calor devido à latitude (quanto mais uma espécie se afasta ou se aproxima do
calor do equador ou do frio polar).
As plantas estudadas vivem em altitudes de zero metro a 2.600 metros. Os locais
são seis cadeias de montanhas francesas --Alpes Ocidentais, Pirineus do Norte,
Maciço Central, Jura Ocidental, Vosges e a cadeia da Córsega.
A mudança climática na França, escreveram os autores, se caracterizou no século
20 por aumento de temperatura acima da média mundial de 0,6ºC. Na região alpina,
a média ficou em 0,9ºC e se aproximou de 1ºC desde os anos 1980.
Os autores da pesquisa tomaram cuidado em restringir as florestas nas quais as
tendências de longo prazo teriam mais impacto, pois o dossel das árvores age
como uma espécie de "zona-tampão" ao amenizar a variação de temperatura durante
o ano. Em áreas mais abertas, a variação climática ao longo do ano e as práticas
agrícolas causam um impacto maior na temperatura. Isso contribui para tornar as
mudanças na distribuição de espécies sob o dossel uma boa indicação de
tendências regionais.
Das 171 espécies, 118 tiveram deslocamento para maiores altitudes e 53
diminuíram a sua elevação ótima. A mudança tendeu a ser maior para espécies que
estão restritas a habitats de montanha.
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