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Missão desvendará mistérios do lago mais profundo do mundo
Uma missão com dois submarinos será lançada por cientistas russos, no final
deste mês, para desvendar os mistérios do ecossistema do lago Baikal, o mais
profundo do planeta. A oportunidade será aproveitada, também, para estabelecer
um novo recorde de mergulho em águas doces.
Organizada "sem a ajuda do Estado" pelo deputado Artur Tshilingarov, esta
expedição tem como principal objetivo "atrair a atenção" do governo russo para a
necessidade de preservar este local único no mundo. A operação, que será lançada
no dia 29 de julho, consistirá em dezenas de mergulhos de Mir-1 e Mir-2,
pequenos submarinos fabricados na época soviética e concebidos para a pesquisa
em ambiente marinho a uma profundidade máxima de 6,5 mil metros.
No lago Baikal, esses submarinos descerão a uma profundidade de "apenas 1,6 mil
metros" para chegar à parte mais baixa desta gigantesca reserva de água doce
(20% do volume mundial), destacou o diretor do Instituto oceanográfico russo
Robert Nigmatulin. Em todo caso, será um recorde, afirmou com orgulho o Fundo de
contribuição à preservação do Baikal, que financia a missão.
O Fundo lembrou que o lago só foi explorado até agora em algumas centenas de
metros de profundidade. "Tecnicamente, é uma expedição muito complexa. Os Mir já
mergulharam a partir de um navio, mas nunca de um local especialmente equipado",
principalmente com um imponente guindaste, afirmou Tsikingarov. "Será a primeira
vez que o local funcionará em tais condições", declarou.
Além dos estudo das correntes, da vida animal, inclusive microscópica, em
diferentes níveis, através da colheita de amostras, os pesquisadores explicaram
que também vão se interessar pelos gases, sobretudo o metano, presentes no lago.
"Talvez" possa ser no futuro uma importante fonte de energia, quando as
tecnologias terão evoluído o suficiente, arriscou o deputado. No entanto, o
objetivo é outro, lembrou Nigmatulin. Com o aquecimento global, estes gases
poderiam começar a ser liberados na atmosfera e contribuir para o agravamento
deste fenômeno. "É por isso que eles têm que ser controlados", insistiu o
cientista.
"Vamos estudar atentamente as águas do lago, para determinar os eventuais
perigos e também as possíveis utilidades energéticas", finalizou.
Para os organizadores, a expedição representa um "primeiro passo" na "missão" de
proteger o Baikal, incluído em 1996 no patrimônio da humanidade da Unesco. A
proteção ecológica do lago é até agora "insuficiente" e "suscita sérias
preocupações", havia advertido em março o Ministério Público da Rússia.
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