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Resíduo da construção civil supera o lixo doméstico em capitais
FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha
O volume de resíduos gerados pela construção civil já supera o de lixo doméstico
em capitais brasileiras. Em Salvador (BA), a quantidade de entulho recolhida em
obras e reformas quase chega a 60% do total de lixo da cidade --em Goiânia (GO)
e em Porto Alegre (RS) esse índice fica em 55%.
O problema ambiental é agravado pelo fato de o lixo ser depositado em local
inadequado. Prefeituras não cumprem resolução de 2002 do Ministério do Meio
Ambiente que determinou a criação de aterros específicos para o entulho de
obras.
Em Goiânia, a agência ambiental do município já autuou todas as empresas que
fazem coletas de restos da construção civil por despejo de materiais em áreas
não permitidas.
A cada dia são recolhidas na capital de Goiás pelo menos 1.300 toneladas geradas
por obras e reformas. A agência aponta o "boom" do setor da construção no país
como uma das causas do problema. O PIB (Produto Interno Bruto) da construção
civil cresceu 21,7% entre 2004 e 2007.
Em Belo Horizonte (MG), o volume de resíduos produzidos por obras também deve
ser superior ao do lixo doméstico. O lixo de construção representa 45% do que é
coletado pela prefeitura diariamente e não há dados sobre quatro aterros
particulares onde materiais também são depositados. Um aterro próprio para
entulhos usado pela prefeitura se exauriu e os rejeitos acabam depositados junto
ao lixo comum.
Em São Paulo, são recolhidas por dia 4.000 toneladas de lixo de construções
pelas concessionárias da prefeitura. Também há na maior cidade do país 28 mil
caçambas particulares cadastradas atuando na coleta de entulho.
Thiago Camargo, membro titular do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente),
ligado ao governo federal, diz que a maioria dos municípios ainda não tem
estrutura na área ambiental para fiscalizar e regulamentar a destinação do
entulho.
Para ele, as maiores poluidoras são pequenas empresas que atuam de maneira
informal. Camargo, porém, diz considerar que o lixo gerado em obras é menos
nocivo ao ambiente do que o doméstico por ter um potencial de reciclagem maior.
Em Minas, por exemplo, o Sindicato da Indústria da Construção Civil diz ter
criado um "banco" onde construtoras podem comprar e vender terra e entulho
descartados de obras.
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