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Rússia começa a fornecer combustível
nuclear para central iraniana
A
empresa russa AtomStroyExport anunciou nesta segunda-feira (17) que começou a
fornecer combustível nuclear para a central atômica de Bushehr, que é construída
no Irã.
A primeira remessa, em contêineres selados por inspetores da AIEA (Agência
Internacional de Energia Atômica), chegou neste domingo à central e ficou
guardada em um depósito especial sob um sistema de controle e vigilância
internacional, assinalou a AtomStroyExport em comunicado divulgado pelas
agências russas.

O fornecimento de urânio 235 enriquecido até 3,62% para a primeira carga do
reator da central de Bushehr acontecerá em várias remessas e todo o processo
será realizado num período de dois meses.
O combustível alimenta o programa nuclear iraniano, o qual Teerã defende ser
pacífico, mas os EUA e seus aliados insistem que as atividades podem levar à
criação de uma bomba atômica.
Transparência
A construção de Bushehr tem sofrido freqüentes atrasos. Autoridades do país
afirmam que a demora se deve às disputas envolvendo pagamentos, contudo,
especialistas acreditam que a Rússia também está descontente com a resistência
do Irã em deixar mais transparente seu programa nuclear.
"Todo o combustível nuclear será entregue e ficará sob as garantias e o controle
da AIEA enquanto estiver em território iraniano", afirmou o Ministério das
Relações Exteriores, por meio de nota.
Um relatório das agências de inteligência dos Estados Unidos, publicado no
último dia 3, assegura que Teerã interrompeu em 2003 seu programa nuclear
militar, o que serviu ao regime iraniano como desculpa para declarar-se
"vitorioso" e insistir em que seu caso atômico "está encerrado".
O novo documento contradiz as afirmações feitas a partir de 2005 pelo governo
dos EUA, de que Teerã estava construindo armas nucleares.
"Mudança"
Neste domingo, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, qualificou como uma
"mudança positiva" na política de Washington.
Em entrevista exibida neste domingo pela televisão estatal, o presidente
iraniano descartou a possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU impor novas
sanções ao Irã por seu programa atômico, já que "não há nada que possa
justificá-las".
Após a divulgação do documento, tanto EUA como a UE insistiram em que sua
política não mudou a respeito das atividades nucleares iranianas, e seguirão
pressionando para que a República Islâmica ponha fim a seu programa de
enriquecimento de urânio.
O Irã não tem relações diplomáticas com os EUA desde o começo da década de 80,
mas desde maio passado mantém contatos com Washington sobre o restabelecimento
da segurança no Iraque.
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