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Temor de recessão nos EUA
arrasta Bovespa, que fecha em queda de 3,6%
O pessimismo sobre a economia americana dominou os negócios nesta terça-feira,
arrastando as Bolsas de Valores na Ásia, Europa e continente americano. A
Bovespa amargou forte queda e perdeu o patamar dos 60 mil pontos.
O Ibovespa, principal índice de ações, desvalorizou 3,67%, aos 59.907 pontos. O
volume financeiro foi de R$ 5,83 bilhões.
Na Ásia, a Bolsa de Tóquio encerrou o pregão em baixa de 0,98%. Na Europa, a
Bolsa inglesa fechou em queda de 3,06%, enquanto Frankfurt (Alemanha) retraiu
2,14% e o mercado francês cedeu 2,82%. Nos EUA, a Bolsa de Nova York recuava
1,88% (índice Dow Jones) às 18h50.
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,753 para venda, em alta de 0,97%. A taxa
de risco-país marca 239 pontos, número 3,01% superior à pontuação final de
ontem.
Os mercados não suportaram uma verdadeira avalanche de notícias negativas sobre
a economia americana, que tornaram cada vez mais palpável a percepção de que o
país mais rico do planeta está próximo de cair em uma recessão.
"Num momento em que parece haver uma ameaça de recessão na economia real,
ninguém quer tomar posição de compra nesse momento", nota Rodrigo Silveira,
gerente de operações da corretora e.um, a "extensão eletrônica" da corretora
Umuarama.
Nas últimas semanas, os dados, embora não conclusivos, concorreram para reforçar
essa idéia: a queda dos preços dos imóveis, a disparada do barril do petróleo e
os números frustrantes do mercado de trabalho.
Hoje, o mercado foi surpreendido pelo fraco desempenho do varejo, e pela
inflação acima do esperado. O chamado "PPI" (índice de preços do atacado)
mostrou deflação de 0,1% no mês, mas o "núcleo" (calculado pela exclusão dos
preços mais voláteis) teve variação de 0,2%, quando mercado estimava variação de
0,1%.
A inflação mais alta afeta as expectativas de que o Federal Reserve (banco
central dos EUA) deve promover uma redução dos juros básicos, hoje em 4,25% ao
ano, para tentar estimular a economia. O mercado, em peso, espera que a
autoridade monetária decida por uma redução em torno de 0,50 ponto percentual. A
decisão do Fed, no entanto, também precisa levar em conta eventuais pressões
inflacionárias sobre a economia.
Outros analistas preferiram ressaltar o desempenho das vendas no varejo, que
tiveram queda de 0,4%, quando o mercado contava com, pelo menos, estabilidade
para esse indicador. O varejo é um indicador significativo do consumo, uma das
principais alavancas da economia americana.
Por esse acúmulo de indicadores, o mercado começou a apostar em um corte ainda
mais agressivo dos juros na reunião do Fed no final deste mês e alguns já
apostam em uma redução da ordem de 0,75 ponto percentual. "Acredito em um
posicionamento do Fed, com um novo corte na taxa de juros, colocando-a em 3,5%
no final deste primeiro trimestre", afirma Newton Rosa, economista-chefe da Sul
América Investimentos.
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