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 Venezuelanos começam a culpar Chávez pelos problemas domésticos


Institutos de opinião pública afirmam que, pela prime CARACAS, 25 Jan 2008 (AFP) - O presidente Hugo Chávez parece não estar mais blindado pelo "efeito teflon", que o tornava invulnerável às críticas pelas fraquezas da gestão de seu governo, consideram analistas consultados pela AFP.

Institutos de opinião pública afirmam que, pela primera vez, suas pesquisas indicam que Chávez - e não mais apenas o seu entorno - é considerado responsável por problemas como insegurança, falta de alimentos, que beira cerca de 30%, e inflação, que foi de 22,5% em 2007.

Após a derrota de Chávez em 2 de dezembro, no referendo sobre uma reforma constitucional de viés socialista, "a população exige soluções concretas para seus problemas cotidianos", disse à AFP Luis Vicente León, diretor da empresa Datanálisis.

Agora, os venezuelanos "sentem que Chávez é vulnerável, sai do Olimpo, do lugar especial de quase um Deus e aterrissa como um líder cotidiano".

León afirma que, nos anos anteriores, "as pessoas diziam que a insegurança era grave, avaliava mal o governo, mas não atingia a popularidade do líder, que permanecia invulnerável". Em dezembro de 2006, por exemplo, ele foi reeleito com 63% dos votos válidos.

"As pessoas exigem, agora, de maneira direta, soluções para seus problemas, como a insegurança e o desabastecimento, para os quais não servem discursos de esquerda, nem a briga, nem o conflito permanente", acrescentou o analista.

Já em novembro de 2007, quase 46% dos venezuelanos responsabilizavam diretamente o presidente pela escassez, enquanto nas pesquisas anteriores este percentual não passava de 18%, relata o Datanálisis.

Saúl Cabrera, vice-presidente da Consultores 21, disse à AFP que a popularidade do presidente se situa, após nove anos no poder, "em cerca de 40% e caiu entre 10% e 12% em todo o ano de 2007".

"A queda não é espetacular, mas é permanente e contínua", explicou.

"O teflon do presidente está arranhado e, como acontece com uma frigideira, perdeu capacidade anticorrosiva; 60% da população indica que o presidente é o responsável, enquanto que, no início de 2007, era menos de 50% da população", disse o especialista da Consultores 21.

"Chávez foi muito bom para lidar com políticas globais, falar de socialismo e de revolução, mas metade da população afirma que o principal problema do país continua sendo a insegurança", completou.

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