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Venezuela: "parar de
vender petróleo aos EUA é possível"
A
companhia petrolífera estatal venezuelana PDVSA considera possível, embora
custoso, deixar de vender petróleo e derivados aos Estados Unidos, como ameaçado
pelo presidente Hugo Chávez, segundo informou hoje o titular de sua Direção
Externa, Bernard Mommer.
"Possível sempre é, mas há um custo. Sempre vai criar desajustes econômicos, mas
é possível. Nesse caso, custaria dinheiro, a nós e ao outro lado (EUA)", disse.
Mommer, de origem americana e naturalizado venezuelano em 1970, perguntou se
para os Estados Unidos é possível substituir os quase 1,5 milhão de barris que o
país recebe diariamente da Venezuela.
"Não é", afirmou, acrescentando que no futuro "não haverá grandes descobertas
que permitirão reverter essa dependência do petróleo venezuelano".
Chávez ameaçou no domingo cortar a exportação petrolífera aos Estados Unidos
caso o país persista com o que considera uma "guerra econômica".
O presidente se referia à ação movida pela Exxon para congelar até US$ 12
bilhões em ativos no exterior da estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) em
tribunais de EUA, Reino Unido e Holanda.
"Ao império americano falo, porque ele é o amo (da Exxon).
Continuem, e os senhores verão que não lhes enviaremos uma gota de petróleo",
disse Chávez, que chamou os integrantes da multinacional americano de "bandidos
e ladrões imperialistas".
Mommer admitiu que esse congelamento já afeta US$ 300 milhões em contas da PDVSA
em Nova York, mas não confirmou que isso tenha obrigado a companhia a pedir a
seus clientes para que efetuem seus depósitos na Suíça, como afirma a imprensa.
"Houve um pronunciamento unilateral do tribunal (de Nova York), em segredo e sem
consultar a PDVSA, que esta semana fará com que seus advogados respondam a esse
embargo preliminar, que tem como único efeito prático concreto o congelamento de
uma conta, no valor de US$ 300 milhões", garantiu.
O valor de US$ 12 bilhões, cujo congelamento foi pedido pela Exxon Mobil, para
assegurar o pagamento de uma eventual compensação futura por sua recente
exclusão da exploração de petróleo na Venezuela, supera com ampla margem as suas
perdas estimadas.
"O número real ao qual a Exxon pode aspirar é de apenas um dígito, entre 1 e 9%
desses US$ 12 bilhões", afirmou Mommer.
O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na segunda-feira que "os
venezuelanos estão preparados, treinados e fortes para a guerra econômica,
especialmente nestes últimos meses que restam ao Governo de George W. Bush".
O conflito com a Exxon começou no ano passado, quando a PDVSA formou empresas
mistas com multinacionais e outras petrolíferas privadas que operam na rica
Faixa Petrolífera do Orinoco, na Venezuela, para ficar como sócia majoritária.
A estatal acertou com algumas das petrolíferas estrangeiras o pagamento de
indenizações para a aquisição das ações necessárias para ficar como sócia
majoritária. A Exxon e a ConocoPhillips, no entanto, não aceitaram o acordo
proposto, e entraram com pedido de arbitragens internacionais para resolver o
caso.
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