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Correa diz que ainda espera
condenação da Colômbia
O
presidente do Equador, Rafael Correa, teve parte de suas reivindicações
atendidas pela resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) que decidiu
enviar uma comissão de embaixadores à fronteira da Colômbia com o Equador, após
uma semana de tensão na América Latina. No entanto, Correa ainda espera a
condenação do país vizinho por ter invadido seu território para atacar membros
das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Em entrevista à TV Brasil, o mandatário equatoriano acusou o presidente da
Colômbia, Álvaro Uribe, de se beneficiar economicamente do conflito com as Farc
e disse que o Equador está preparado para a guerra, caso tenha seu território
invadido.
O senhor afirmou nos últimos dias que o governo da Colômbia não busca a paz na
região e que o presidente Álvaro Uribe é contra esforços humanitários feitos
pelos países vizinhos. Por quê?
Estou convencido disso. O governo de Uribe vive política e economicamente da
guerra. Politicamente porque ganha apoio da população que sofre. E
economicamente porque recebe milhares de dólares por ano dos americanos por
causa da guerra. Em dezembro, dissemos a Uribe que iríamos interceder para
tentar solucionar os problemas; começamos a fazer os contatos para tratar da
liberação de Reyes Raúl Reyes, número dois das Farc, morto durante a ação
colombiana.
Em março iam ser liberados um total de 12 reféns, não todos de uma vez. Entre
eles, Ingrid Betancourt. Parece que o Uribe ficou sabendo. Eles teriam
interceptado o telefone de Raúl Reyes faz muito tempo. Sabiam das conversas e
que estava adiantado o processo de libertação dos reféns.O próprio marido de
Ingrid Betancourt disse isso. E o que fez Uribe? Quando já está adiantado o
processo, os soldados vão e massacram Reyes para parar qualquer resgate
humanitário. Ingrid Betancourt era uma potencial candidata às eleições
presidenciais, sendo rival de Uribe. O que ele menos quer é libertar reféns.
Qual a relação entre as Farc e o governo do Equador?
Nenhuma. Mas temos um problema: os quinhentos quilômetros que temos de fronteira
na selva. Nós não limitamos com a Colômbia, nós limitamos com as Farc. Da mesma
forma que nos acusam infantilmente de ter uma base das Farc no nosso território
podemos perguntar: como é possível que entrem e saiam guerrilheiros do solo
colombiano? Por que Uribe não tem soldados aí. Não mobiliza seu Exército não
porque não quer, mas porque não pode. O massacram na fronteira sul se a ação for
dominada pelas Farc. A gente faz o que pode para conter a infiltração.
Não fazemos fronteira com a Colômbia, mas com as Farc. E temos feito o possível
para impedir que qualquer força regular ou irregular pise no Equador, mas com os
meios que temos hoje, isso é impossível.
A Colômbia apresentou documentos como prova da relação entre o Equador e as Farc...
Uribe sabe que mente. Todo o escândalo se baseia em documentos sem assinatura,
supostamente resgatados de computadores que, milagrosamente, resistiram ao
bombardeio. Quem pode acreditar? Fazem isso com base na máquina de propaganda
que eles têm com o apoio de agências de inteligência bem conhecidas.
A que agências de inteligência o senhor se refere?
Não quero especificar, mas vocês já conhecem o pronunciamento de Bush presidente
dos Estados Unidos, que disse que apóia totalmente o bombardeio da Colômbia...
O Equador está preparado para uma guerra?
Para defender nosso território, sim. Neste momento, novas fumegações na
fronteira vão ser interpretadas como atos de guerra. Assim como eles falam que
os guerrilheiros estavam no nosso território, se eles fizerem fumegações e elas
caírem em nosso território vamos considerar um ato de guerra. Regular ou
irregular, quem entrar armado em solo equatoriano será capturado.
Como o senhor avalia o papel da OEA e do governo brasileiro na solução desse
episódio?
A OEA tem um papel fundamental determinante e reafirmou o princípio da
inviolabilidade do território. Em relação ao Brasil, quero expressar meu
agradecimento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao chanceler Celso
Amorim. Sem pedir explicações sobre o documento tirado do computador, sabem que
nada justifica a agressão a um país e condenaram a incursão e o bombardeio
colombiano ao solo equatoriano. Eu pergunto a todos os brasileiros: o que
aconteceria se mais tarde Uribe falasse que que há guerrilheiros das Farc no
Brasil e bombardeassem o país? O que fariam? Isso é um perigo para a região.
Uribe é um fator de desestabilização para a região. Temos que pará-lo agora.
Precisamos de uma condenação forte pela OEA para criar mecanismos reais de
coerção porque o Uribe, com o apoio dos Estados Unidos, não vai parar só com
sanções morais.
Agência Brasil
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