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Correa acusa Colômbia de não
proteger sua fronteira sul
O
presidente do Equador, Rafael Correa, disse que a responsabilidade pela passagem
de rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para
território equatoriano é da Colômbia, que "tem totalmente desprotegida sua
fronteira sul", e reiterou que seu país limita ao norte com o grupo.
"O Equador é vítima da crise que vive a Colômbia", ressaltou o presidente em
entrevista publicada hoje pelo jornal "Diario Financiero", do Chile.
O governante voltou nesta terça-feira ao Equador, após uma visita oficial de
dois dias na qual, junto a sua colega chilena, Michelle Bachelet, assinou um
acordo de associação estratégica.
Ninguém gostaria de ficar ao lado de um país "com uma fronteira extremamente
quente", acrescentou Correa, que rompeu relações com o Governo colombiano após a
incursão militar desse país em território equatoriano em 1º de março, na qual
morreu um dos guerrilheiros das Farc, "Raúl Reyes", e pelo menos outras 20
pessoas.
"Nós temos um Exército de 40 mil homens, a Colômbia tem 400 mil.
Não recebemos ajuda de ninguém, por outro lado a Colômbia recebeu nos últimos
anos US$ 3,5 bilhões e tecnologia de ponta e não pôde vencer as Farc, nem
localizar os acampamentos na Colômbia", disse.
"Por que nos acusam então do que eles não puderam fazer?", questionou.
"Capturamos 117 acampamentos. Foi o Governo que mais esforços fez para combater
qualquer irregularidade. Mas temos 500 quilômetros de fronteira selvática. Nós
não limitamos com a Colômbia, limitamos com as Farc", ressaltou.
Em outra parte da entrevista, Correa reiterou que a crise com a Colômbia "foi
superada" e indicou que as relações entre os dois países vão se restabelecer,
após "os resultados satisfatórios da Cúpula do Grupo do Rio, em Santo Domingo".
Ao ser questionado sobre sua tese de uma Organização dos Estados Americanos
(OEA) sem os Estados Unidos, Correa disse que os "EUA não entendem o que
acontece na região".
"Para os Estados Unidos, a importância não é se as coisas são legais ou ilegais,
se estão violando o direito internacional ou não, mas se foram meus aliados que
fizeram ou não, e isso é inadmissível na América Latina", destacou.
"É preciso ter muito cuidado que em nosso continente se imponham dinâmicas que
destroçaram a parte do mundo, como, por exemplo, isto da extraterritorialidade
da lei, que eu posso atacar qualquer país onde mora um terrorista", ressaltou.
EFE
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