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Após ato do Greenpeace, Marina
Silva discute importação de madeira com a França
da Efe, em Paris
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, conversou por telefone nesta
terça-feira (18) com o titular da Ecologia francês, Jean-Louis Borloo, sobre a
questão da importação de madeira. O diálogo ocorre um dia depois de ativistas do
Greenpeace invadirem um navio vindo do Brasil com uma carga do produto que seria
descarregada em um porto francês.

O Galina 3 foi interceptado perto do porto de Cohen, onde ele deveria ter
atracado ontem. O navio de 16 mil toneladas saiu do Porto de Santarém, no Pará.
Cinco ativistas de Alemanha, Inglaterra, Itália e Chile entraram no cargueiro
para protestar contra o carregamento de madeira supostamente ilegal com destino
à União Européia.
Em razão de o navio ter os ativistas a bordo, agentes do porto não deixaram que
ele atracasse no local. De acordo com o Greenpeace, os membros do grupo passaram
a noite no navio e, por volta das 14h no horário de Brasília, ainda ocupavam o
cargueiro.
O cargueiro permanece a uma distância de 4 km a 5 km do porto, na espera de que
a questão se resolva. Com o protesto, a organização quer pressionar a União
Européia a adotar medidas mais rígidas para controlar a entrada de maneira nos
países que fazem parte do bloco.
Negociação
Na conversa telefônica, os dois ministros falaram sobre a autorização do
comércio da madeira e a perspectiva de que o Brasil adote a norma européia em
termos de certificados e de luta contra o desmatamento. A informação é de um
comunicado do ministério da Ecologia francês.
"Trata-se de lutar contra o desmatamento selvagem das florestas primitivas, que
vão contra a biodiversidade e a luta contra a mudança climática", diz a nota.
Borloo pediu que os serviços alfandegários intensifiquem a vigilância e o
controle sistemático dos certificados de autorização das cargas de madeira que
chegam à França.
Desmatamento
A organização ambientalista afirma que a União Européia tem grande parte da
responsabilidade pelo desmatamento no Brasil. De acordo com estudo divulgado
ontem pelo Greenpeace, 15 países da Europa importam 48% das 1,6 milhão de
toneladas de madeira amazônica exportada pelo Brasil em 2007. Os principais
destinos foram Holanda (14%), França (13%), Espanha (6%), Portugal (6%) e
Bélgica (4%).
'Se a União Européia quiser zerar o desmatamento e combater os impactos das
mudanças climáticas, ela precisa usar seu poder econômico para introduzir uma
nova e rigorosa legislação florestal para banir a entrada de madeira ilegal e
predatória no mercado europeu', afirma Judy Rodrigues, da campanha de florestas
do Greenpeace Internacional, em nota.
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