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Premiê chinês está pronto para
dialogar com dalai-lama, diz Brown
O premiê chinês, Wen Jiaobao, está preparado para dialogar com dalai-lama, desde
que ele renuncie à independência do Tibete, afirmou o primeiro-ministro inglês,
Gordon Brown, nesta quarta-feira. O líder britânico também afirmou que pretende
encontrar o líder tibetano em maio, durante a visita do dalai-lama a Londres.

A China afirmou nesta terça-feira ter provas de que as revoltas em Lhasa
(capital tibetana) na semana passada foram "estimuladas e organizadas pelo grupo
do dalai-lama", e pediu mais uma vez que o líder espiritual renunciasse à
independência do Tibete.
O líder espiritual negou que tenha arquitetado os motins, e disse que só quer
maior autonomia para sua terra, e não a independência em relação à China.
O diálogo entre Pequim e os enviados de dalai-lama estão prejudicados desde
1979. A última tentativa de contato terminou em julho do ano passado, sem
progresso aparente.
Os conflitos no Tibete incentivam as sugestões de boicote aos Jogos Olímpicos de
Pequim, que ocorrem em agosto deste ano.
Tocha Olímpica
A China confirmou hoje que vai levar a tocha Olímpica ao Tibete, mesmo com os
motins e protestos. O vice-presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos,
Jiang Xiaoyu, afirmou que a situação no Tibete já está estabilizada, e que irá
proceder exatamente como o planejado.
Quando a tocha chegar em Pequim, no dia 31 de Março, uma segunda tocha será
acesa e levada ao Tibete, onde escaladores chineses irão levá-la para o do
monte Everest, de acordo com os organizadores da competição.
A tocha ainda deve voltar ao Tibete em junho. Ativistas tibetanos rejeitam as
comemorações olímpicas e querem que a tocha passe longe de seu território.
Protestos e Rendições
Ao menos 105 tibetanos que participaram dos protestos em Lhasa contra a
repressão chinesa se entregaram à polícia até a noite de terça-feira, informou
nesta quarta-feira (19) a agência oficial Xinhua. O governo tibetano no exílio
negou a informação e disse que as pessoas foram detidas "arbitrariamente de casa
em casa".
O anúncio das rendições foi feito pelo governo da região autônoma do Tibete,
mais de um dia após o fim do prazo que havia sido dado pela China --que expirou
à 0h de segunda (13h de Brasília)--, que prometeu "clemência" aos que se
entregassem e fez ameaças de duros castigos aos que não procurassem as
autoridades.
Segundo o vice-presidente do governo tibetano, Baema Chilain, aqueles que se
entregaram participaram diretamente dos confrontos, dos saques e dos incêndios
registrados desde sexta-feira. "Alguns devolveram o dinheiro que roubaram",
acrescentou.
Os protestos de Lhasa, considerados os piores em quase 20 anos, começaram com as
manifestações pacíficas que os monges budistas promoveram no último dia 10 de
março por ocasião do 49ª aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o
domínio chinês.
O governo chinês assegura que Lhasa recupera a normalidade. Grupos de direitos
humanos tibetanos no exílio dizem que a situação segue muito tensa, com a
polícia patrulhando as ruas da cidade.
Imprensa
O governo chinês informou estar indignado com a cobertura "escandalosa e hostil"
feita pela imprensa estrangeira --que tem o acesso proibido ao Tibete e cujas
informações estão censuradas em toda a China--sobre os distúrbios em Lhasa.
"Alguns veículos de comunicação ocidentais deformaram intencionalmente os fatos
e descreveram graves crimes como protestos pacíficos, para caluniar nossos
esforços legítimos de manter a estabilidade social", disse Ragdi, um funcionário
do governo tibetano citado pela agência Xinhua.
As declarações de Ragdi, nascido na região tibetana e ex-presidente do Comitê
Permanente da Assembléia Nacional Popular (Legislativo), acontecem enquanto
Pequim aumenta a censura de toda a imprensa internacional que tenta informar
sobre os protestos em Lhasa.
Alguns sites estão praticamente inacessíveis na China, incluindo o popular o
YouTube, onde era possível assistir a vídeos sobre os protestos.
A imprensa estatal chinesa continua publicando a versão oficial do país, na qual
13 "civis inocentes" morreram em função da violenta incitada pelo "entorno" do
dalai-lama, líder espiritual dos tibetanos. A versão nega também que existisse
repressão por parte das forças de segurança chinesas, como denunciaram
organizações de direitos humanos e o governo tibetano no exílio.
"Sem conhecer até mesmo os fatos básicos sobre os crimes cometidos pelos
arruaceiros, alguns meios de comunicação ocidentais afirmam hipocritamente que o
governo chinês não deve suprimir as manifestações pacíficas e o respeito aos
direitos humanos", disse Ragdi.
Com Reuters
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