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NY: cafetina brasileira é
comparada a Carmen Miranda
Natuza Nery
Direto de Nova York
A cafetina brasileira Andréia Schwartz, suposta informante-chave do escândalo
sexual que envolveu o ex-governador de Nova York Eliot Spitzer, já é vista como
"sex simbol" nos Estados Unidos.
Prestes a ser deportada por crimes de prostituição, lavagem de dinheiro e
tráfico de drogas, ela ganhou no país o apelido dado na década de 1940 à
consagrada Carmen Miranda, chamada pelos fãs e pela imprensa norte-americana de
"Brazilian bombshell", termo que, em inglês, designa beleza digna de parar o
trânsito.
Andréia está detida desde 2006 em um presídio em Nova Jersey. Ela já cumpriu a
pena pelos crimes e aguarda liberação para voltar ao Brasil. Antiga dona de um
bordel luxo em Manhattan, ela seria a principal fonte de informação de
autoridades federais no caso Spitzer.
Nos tablóides locais e na Internet, leitores interessados na explosiva
combinação "Patologia e política" fazem piadas e analisam o visual da brasileira.
"Andréia Schwartz? Esse é apenas um nome falso da cafetina brasileira. O nome
verdadeiro dela é Carmen Miranda, e frutas não são sua preferência", diz, em tom
jocoso, um leitor anônimo de uma lista de discussão publicada no dia 13 de
março.
"Ninguém mexe as cadeiras como Carmen Miranda", responde outro internauta. As
brincadeiras não param por aí. Algumas delas atingem contornos preconceituosos
sobre brasileiros nos EUA.
"Bom para os policiaiais. Brasileiros ilegais têm assumido negócios de
prostituição e têm sido foco de investigação. Muitas prostitutas e seus cafetões
têm sido acusados de roubar seus clientes", afirma o leitor do jornal Daily
News, em 17 de março.
As listas de discussão sobre Andréia vão se avolumando ao longo dos dias. Ela
deveria ter chegado no Brasil no ultimo sábado, mas a promotoria pública de Nova
York, interessada em mais informações, pediu que o Departamento de Imigração a
segurasse nos Estados Unidos por mais tempo. O Consulado-Geral do Brasil em Nova
York pede que ela ela seja colocada num avião o mais rápido possível.
"No Brasil, prostituição é reconhecida como profissão pelo governo na
Classificação Brasileira de Ocupação, do Ministério do Trabalho", diz um outro
leitor do site norte-americano.
Um dos internautas pergunta se há na blogosfera algum voluntário para se casar
com Andréia para que a imigrante consiga um Green Card. Outro diz que, com sua
deportação, os rapazes vão ter de viajar para o Brasil para contratar seus
serviços.
"Spitzer contratou a prostituta errada, Andréia é muito mais bonita", afirma um
anônimo, referindo-se à Ashley Alexandra Dupré, prostituta norte-americana
conhecida por Kristen, contratada pelo então governador no mês passado por meio
da agência de prostituição Emperors Club Vip.
O envolvimento sexual foi o estopim do escândalo político, estampado no
noticiário nacional e internacional e responsável pela renúncia de Spitzer ao
cargo. Assim como Kristen, Andréia também já trabalhou para o Emperors.
Segundo o jornal New York Post, Andréia teria relatado o método usado por
clientes para remunerar o clube, daí sua importância nas investigações.
"A prostituta ilegal está só fazendo com os políticos sujos o que as prostitutas
americanas não fazem", assinala outro comentário.
"Spitzer contratou a prostituta errada, Andréia é muito mais bonita", elogia um
admirador. "O advogado dela provavelmente era um de seus clientes. Agora, ela é
a cliente", ironiza outro.
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