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Sarkozy cogita boicotar ato de abertura das Olimpíadas em Pequim


O presidente francês, Nicolas Sarkozy, não descartou nesta terça-feira (25) a possibilidade de um boicote à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, e pediu "responsabilidade" às autoridades chinesas no Tibete.

"Todas as opções estão abertas", afirmou Sarkozy após ser questionado sobre um eventual boicote. Fontes do Palácio do Eliseu disseram que o presidente se referia a um boicote à cerimônia de abertura dos jogos.



Um boicote francês à abertura das Olimpíadas pode ser muito significativo, já que a França ocupará a presidência rotativa da União Européia durante os jogos, que ocorrem entre os dias 8 e 24 de agosto.

"Nossos amigos chineses precisam entender que a preocupação mundial é sobre a questão do Tibete, e eu vou adaptar minha resposta à situação de acordo com a resposta das autoridades chinesas", disse Sarkozy durante uma visita a um regimento militar no sudoeste da França.

Na semana passada, o ministro francês de Relações Exteriores, Bernars Kouchner, sugeriu o boicote à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, mas logo recuou, chamou a medida de "irreal" e disse que a França não era a favor dela.

Apesar da possibilidade aventada pelo presidente francês, a Casa Branca confirmou que o presidente George W. Bush mantém sua intenção de assistir aos Jogos Olímpicos na China.

"Nossa posição continua sendo que o propósito dos Jogos Olímpicos é que os atletas internacionais se reúnam e exibam seus talentos", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Mortes

O primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, Samdhong Rinpoche, afirmou nesta terça-feira (25) que 140 pessoas morreram nos conflitos ocorridos no Tibete. "Esta cifra é procedente de nossas fontes no Tibete", afirmou o primeiro-ministro na cidade de Dharamsala (norte da Índia), sede do governo tibetano no exílio.

"O balanço é de 140 mortos. Este balanço diz respeito à noite desta segunda-feira e inclui o conjunto do Tibete", afirmou. Nesta segunda-feira, o saldo divulgado por Rinpoche era de 130 mortos. Apesar de divulgar o novo balanço, o próprio primeiro-ministro afirmou que é impossível verificar o número preciso de mortos.

Segundo as autoridades chinesas, o balanço oficial dos distúrbios é de 19 mortos, sendo 18 civis "inocentes" e um policial. Como a imprensa tem o acesso vetado à região do Tibete as informações não têm como ser comprovadas.

Dalai-lama

18.mar.2008/Reuters

O dalai-lama, líder espiritual tibetano, falou novamente em renunciar
O dalai-lama, líder espiritual tibetano, reiterou nesta terça-feira (25) em Nova Déli que renunciará "se as manifestações violentas continuarem", em referência aos protestos de tibetanos contra as autoridades chinesas.

"Deixei sempre claro que a expressão de emoções profundas deve estar sob controle. Se estão fora de controle, não temos opções. Se as manifestações violentas continuarem, renunciarei", disse o dalai-lama, em declarações divulgadas pela agência PTI.

O líder budista pediu que os tibetanos se contenham e não escolham a violência contra o povo chinês. "Sempre respeitei a população chinesa, o comunismo chinês. Muitos dos manifestantes tibetanos são ideologicamente comunistas. Tanto dentro quanto fora da China, se nas manifestações forem utilizados métodos violentos, sou totalmente contra", disse.

O dalai-lama está em Nova Déli (capital da Índia) durante esta semana para oferecer cursos de meditação e budismo.

Imprensa

Um reduzido grupo de jornalistas estrangeiros foi autorizado a viajar amanhã (26) a Lhasa (capital tibetana), após os recentes distúrbios ocorridos na capital tibetana, anunciou nesta terça-feira o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Qin Gang.

Gang disse que foi preparada uma série de entrevistas, assim como visitas aos locais destruídos pelos manifestantes, "para que a imprensa estrangeira possa conhecer a realidade da situação no Tibete".

Sobre os jornalistas estrangeiros expulsos das zonas dos protestos, o porta-voz disse que eles foram afastados do lugar "para preservar sua segurança".

Diante das queixas de alguns meios de comunicação por não ser incluídos no grupo autorizado a viajar para Lhasa, Quin assinalou que para escolher os repórteres foram adotados princípios de "eqüidade", e prometeu outras "expedições" nas próximas semanas.

No primeiro grupo escolhido não há jornalistas da América Latina, confirmou à Efe o Ministério de Assuntos Exteriores chinês.

A China não permite há anos que jornalistas estrangeiros trabalhem em Lhasa, e só estabelece uma ou duas viagens ao ano para repórteres com visitas programadas pelo governo comunista da região autônoma tibetana.

Desde 10 de março, monges budistas com apoio da população civil protagonizaram protestos no Tibete para lembrar o aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o mandato chinês em 1959, que causou a ida ao exílio do dalai-lama.

Com Efe e France Presse
 

 

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