Ex-ministro Simba Makoni
desafia Mugabe em eleições do Zimbábue
da Efe, em Harare
O ex-ministro Simba Makoni, que chegou a ser chamado de "prostituta política"
pelo regime do Zimbábue, é um dos oponentes do ditador Robert Mugabe nas
eleições nacionais do próximo sábado, nas quais concorrerá como candidato
independente.

Mulher
passa por pixação contra ditador do Zimbábue, Robert Mugabe; ex-ministro Simba
Makoni desafia Mugabe em eleições
O candidato, 58, ousou desafiar o poder de Mugabe, após ser formado nas fileiras
do partido Zanu-PF. Ele era membro da burocracia da legenda governante até o
início deste ano, mas foi expulso quando decidiu lançar sua candidatura à
Presidência do país, em 5 de fevereiro.
O ex-ministro participará das eleições deste sábado como candidato sem partido,
e adotou o amarelo como cor política.
"O amarelo representa a riqueza do Zimbábue. Desta forma, reforçamos a nossa
persistência em resolver a atual crise econômica. A cor representa o sol
nascente, e o amanhecer de um novo país", diz a biografia oficial do líder
político.
Biografia
Nascido em 22 de março de 1950, no povoado de Mutare, no leste, ele chegou à
universidade em uma época de grande movimentação política no país, tendo sido
expulso por causa de sua militância.
Philimon Bulawayo/Reuters
O candidato presidencial Simba Makoni participa de ato de campanha no Zimbábue
Makoni, cujo primeiro nome, Simba, significa leão no dialeto suaíle, foi
obrigado a se exilar no Reino Unido, onde fez doutorado em Química Médica, e
logo passou a representar o Zanu-PF na Europa.
Com a independência do Zimbábue, em 1980, Makoni chegou pela primeira vez ao
governo, como vice-ministro de Agricultura, cargo que ocupou até o ano seguinte,
quando foi nomeado ministro da Indústria e Desenvolvimento Energético.
Ele deixou o Ministério em 1983, e um ano depois foi nomeado
secretário-executivo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC,
em inglês), organização regional que reúne as nações do sul do continente.
Terminada sua gestão de dez anos no organismo, se tornou o diretor-gerente do "Zimbabwe
Newspapers", um consórcio ao qual pertencem diversos jornais vinculados ao
governo.
Ministério
Homem de fala suave e comportamento jovial, Makoni abandonou o posto em 1997.
Três anos depois, voltou a ser convocado por Mugabe, mas desta vez para assumir
a pasta de Finanças e Desenvolvimento Econômico.
Eram tempos em que o Zimbábue passava pela pior crise econômica de sua história,
devido, entre outros motivos, à caótica reforma agrária realizada pelo governo.
Quase 20 anos depois, o Zimbábue tem uma inflação superior a 100.000% ao ano, e
dois de cada três zimbabuanos estão sem emprego, males que, agora, Simba Makoni
promete resolver.
O ex-ministro afirma que Mugabe ignorou alguns de seus conselhos, que diz serem
"vitais" para uma mudança radical na economia. Ele foi demitido pelo presidente,
que o acusou de "sabotador", um título que, segundo sua biografia oficial,
"carrega com orgulho".
Isolamento
Mesmo demitido, ele seguiu nas fileiras do partido governante, até que em 5 de
fevereiro anunciou sua intenção de concorrer com Mugabe nas próximas eleições,
decisão que levou o regime a isolá-lo.
Mugabe já havia se acostumado a ter rivais políticos na oposição, mas esta é a
primeira vez que um antigo membro do partido governante se lança separadamente
contra o atual presidente.
Em 23 de fevereiro, o ditador disse que Makoni era um "sapo que tenta se inflar
até chegar ao tamanho de um boi". Não satisfeito, foi além, e o chamou de
"prostituta política", por se lançar à campanha presidencial sem um partido.
No próximo sábado, Makoni tentará obter o voto dos setores descontentes com o
caminho tomado pela situação política e econômica do país, e dos que pensam já
ter chegado a hora para a saída de Mugabe, de 84 anos.
Visto inicialmente como um candidato de consenso que poderia unir partidários do
governo e da oposição, ele conta com o apoio de uma das facções do opositor
Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), a menor, mas os apoios
que conseguiu dentro do governante Zanu-PF são muito reduzidos.
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