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Vaticano nega discriminar
judeus em oração
da Efe, na Cidade do Vaticano
O Vaticano rejeitou nesta sexta-feira em comunicado as acusações de que despreza
e discrimina os judeus com a reinstauração e nova formulação da oração em latim
da Sexta-Feira Santa.
Em 20 de março, o conselho dos Judeus da Alemanha denunciou a reformulação em
latim desta prece, por considerá-la discriminatória contra sua religião, e a
esta se somaram outras críticas de partes do mundo.
No comunicado emitido nesta sexta pelo Vaticano, afirma-se que a nova formulação
do "Oremus" "não quis, de forma alguma, manifestar uma mudança no comportamento
da Igreja Católica a respeito dos judeus", expressado especialmente na
declaração "Nostra Aetate" (1965), que selou a reconciliação entre ambas as
religiões.
Em fevereiro, o papa Bento 16 mudou nesta oração a frase na qual se pedia a
"conversão do povo judeu", que havia gerado muitas críticas, e substituiu por um
"que ilumine seus corações para que reconheçam Jesus Cristo como salvador de
todos os homens".
Mas esta mudança também foi criticada pelos judeus. O rabino chefe de Roma,
Riccardo Di Segni, caracterizou de "um retrocesso de 43 anos que impõe uma pausa
de reflexão no diálogo judeu-cristão".
O Vaticano acrescenta em sua nota que vários documentos da Igreja Católica
"expõem os princípios fundamentais que apoiaram e sustentaram as relações
fraternas de estima, de diálogo, de amor, de solidariedade, e de colaboração
entre católicos e judeus".
Entre eles, o Vaticano destaca a "Nostra Aetate", que lembra "o vínculo
particular com o qual o povo do Novo Testamento está espiritualmente unido à
linhagem de Abraão".
A oração também "rejeita qualquer tipo de comportamento de desprezo e de
discriminação em relação aos judeus e se repudia com firmeza qualquer forma de
anti-semitismo".
O Vaticano declara esperar que estes "esclarecimentos" contribuam para "resolver
os mal-entendidos", assim como reitera seu desejo de que "os progressos obtidos
na recíproca compreensão e apreço entre judeus e cristãos durante estes anos
continuem crescendo".
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