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Farc rejeitam a missão médica
francesa para Ingrid Betancourt
A cúpula da guerrilha colombiana das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia) rejeitaram nesta terça-feira, em um comunicado, a missão médica
enviada pelo governo da França para atender a franco-colombiana Ingrid
Betancourt e outros reféns por considerá-la "improcedente".
O comunicado ataca o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e afirma que as
libertações de cinco reféns em dois episódios no início deste ano foram "um
gesto de generosidade e vontade política das Farc".

"Pelas mesmas razões expostas ao CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha),
em 17 de janeiro, a missão médica francesa não é procedente e muito menos quando
não é resultado de um acordo, e sim da má fé de Uribe ante o governo do Eliseu,
e um escárnio desalmado quanto às expectativas dos familiares dos prisioneiros",
afirma o comunicado.
A declaração diz ainda que, caso a reivindicação das Farc pela criação de uma
zona desmilitarizada tivesse sido atendida, os reféns políticos teriam sido
libertados em uma troca por guerrilheiros presos.
"Não atuamos sob chantagem nem sob o impulso de campanhas midiáticas. Se no
começo do ano o presidente Uribe tivesse liberado Pradera e Florida por 45 dias,
tanto Ingrid Betancur (sic), como os militares e os guerrilheiros presos teriam
recobrado sua liberdade, e seria a vitória de todos", acrescenta o comunicado
divulgado através da Agência Bolivariana de Imprensa na internet.
Leia a seguir a íntegra da declaração das Farc:
1. A libertação unilateral de cinco congressistas e de uma ex-candidata à
vice-presidência, ocorrida entre janeiro e fevereiro, foi antes de tudo um gesto
de generosidade e vontade política das Farc, não de debilidade ou resultado de
uma pressão, como equivocadamente supõe o governo do senhor Uribe. Tais
libertações obedeceram a uma decisão soberana da insurgência das Farc estimulada
pelo persistente trabalho humanitário do presidente Hugo Chávez e da senadora
Piedad Córdoba.
2. Desde a última libertação unilateral de 27 de fevereiro temos estado à espera
do decreto presidencial ordenando a desmilitarização de Pradera e Florida para
concretizar ali, com a garantia da presença guerrilheira, o acordo de troca
humanitária. Os guerrilheiros presos nas cadeias de Colômbia e dos Estados
Unidos são nossa prioridade. Rechaçamos a qualificação proposta de crime
político que pretende impedir que os guerrilheiros saiam das prisões. Não
estamos reclamando a ninguém o status de refugiado, utilizado como nome
camuflado do exílio e da institucionalização do crime de opinião.
3. Lamentamos profundamente que na hora em que propiciamos feitos palpáveis na
direção da troca de prisioneiros, o presidente Uribe planejava e executava o
assassinato do comandante Raul Reyes, ferindo de morte a esperança de
intercambio humanitário e de paz. Quem ordena seus generais o resgate militar a
sangue e fogo, não quer a troca. Quem oferece milhões de dólares instando à
deserção com prisioneiros, não está a favor do intercâmbio. Isso é Uribe: o
obstáculo principal e o inimigo número um da troca. Por isso aposta
irresponsavelmente, todos os dias, um desenlace fatal.
4. Pelas mesmas razões expostas ao CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha)
no dia 17 de janeiro, a missão médica francesa não é procedente e muito menos
quando não é resultado de um acordo, mas da má fé de Uribe ante o governo do
Eliseu, e um escárnio desalmado às expectativas dos familiares dos prisioneiros.
Não atuamos sob chantagem nem sob o impulso de campanhas midiáticas. Se no
começo do ano o presidente Uribe tivesse retirado (os militares) de Pradera e
Florida por 45 dias, tanto Ingrid Betancur (sic), como os militares e os
guerrilheiros presos já teriam recobrado sua liberdade, e seria a vitória de
todos.
Secretariado do Estado Maior Central das Farc
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