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Na Casa Branca, Bento 16 fala
sobre diplomacia, liberdade e imigração
O papa Bento 16 pediu nesta quarta-feira que os Estados Unidos solucionem os
conflitos com "diplomacia paciente". O pedido foi feito durante a cerimônia
formal de boas-vindas ao pontífice na Casa Branca, no dia em que completa 81
anos.
"Os EUA se mostram sempre generosos ao irem ao encontro das necessidades humanas
imediatas, promovendo o desenvolvimento e oferecendo alívio para as vítimas das
catástrofes naturais", afirmou o papa.
O pontífice discursou sobre a situação da América Latina ao lado do presidente
George W. Bush e falou sobre temas como a necessidade de uma política coordenada
para a imigração e o bem-estar dos familiares.
Bento 16 é recebido pelo presidente George W. Bush no dia em que completa 81
anos
Ele também falou sobre sua visita na próxima sexta (18) à sede da ONU, onde
espera "encorajar os esforços que estão fazendo para dar a esta entidade uma voz
ainda mais eficaz a favor das expectativas legítimas de todos os povos do
mundo".
O pontífice iniciou seu discurso explicando que chega aos EUA "como amigo e
anunciador do Evangelho e como alguém que tem grande respeito por esta vasta
sociedade pluralista".
Ele afirmou que "os católicos da América ofereceram e seguem oferecendo uma
excelente contribuição à vida de seu país" e desejou que sua visita aos
norte-americanos --que começou nesta terça-feira e vai até domingo (20)-- "possa
ser fonte de renovação e esperança para os EUA" e reforce a vontade dos
católicos de contribuírem de forma mais responsável para a vida da nação.
O discurso do papa esteve centrado na liberdade e, em particular, na liberdade
religiosa. Bento 16 afirmou que realizará encontros com representantes de outras
religiões durante sua viagem e acrescentou que nos EUA "todos os crentes
encontraram a liberdade de adorar a Deus, segundo as determinações de sua
consciência".
"Desta forma, as próximas gerações poderão viver em um mundo onde a verdade, a
liberdade e a justiça possam florescer. Um mundo onde a dignidade e os direitos
dados por Deus a todo homem, mulher e criança, sejam valorizados, protegidos e
fomentados", completou.
O papa também elogiou a vida religiosa nos Estados Unidos e pediu que os
americanos não se esqueçam do direito de "cada indivíduo e grupo de fazer ouvir
sua voz".
O papa Bento 16 discursa na Casa Branca e fala sobre diplomacia, liberdade e
imigração
Além disso, disse que "a liberdade não é apenas um dom, mas também uma chamada à
responsabilidade pessoal" e lembrou como "muitos americanos sacrificaram suas
vidas em defesa dela (da liberdade) tanto em sua própria terra como em outros
lugares".
O papa citou seu antecessor João Paulo 2º, que dizia que "em um mundo sem
valores a liberdade perde seu fundamento" e que uma "democracia sem valores
perde sua própria alma".
Outro a ser citado pelo pontífice foi Bush, que, em seu discurso, afirmou
considerar que a religião e a moralidade "são suportes indispensáveis" para a
"prosperidade política".
Dirigindo-se aos americanos, o papa afirmou que, "como os pais fundadores do
país bem sabiam, a democracia só pode florescer quando os líderes políticos e
aqueles que eles representam são guiados pela verdade e aplicam sabedoria, que
nasce de firmes princípios morais, às decisões que concernem à vida e ao
futuro".
"A exigência de uma solidariedade global é mais urgente que nunca, caso queira
que todos possam viver de acordo com sua dignidade, como irmãos e irmãs que
vivem na mesma casa", acrescentou.
O papa encerrou seu discurso expressando sua gratidão pelo encontro e desejando
"justiça, prosperidade e paz" ao país. Ele concluiu com uma das frases símbolo
nos EUA: "Que Deus abençoe a América".
Recepção
O papa Bento 16, que chegou ontem a Washington para uma viagem de seis dias
pelos Estados Unidos, foi recebido nesta quarta-feira na sede da Presidência dos
Estados Unidos com hinos nacionais e uma salva de 21 tiros de canhão.
Apesar de o pontífice ter chegado ontem à capital americana, a cerimônia formal
de boas-vindas aconteceu hoje nos jardins da Casa Branca, onde se concentraram
milhares de fiéis que queriam ver Bento 16.
Em um momento determinado, um grupo de fiéis cantou de forma espontânea o
"parabéns" ao papa, que, sorridente, ficou de pé e acenou com a mão.
Uma banda da Infantaria da Marinha tocou os hinos nacionais dos Estados Unidos e
da Cidade do Vaticano, e depois houve uma salva de 21 tiros de canhão, além da
atuação da soprano Kathleen Battle, que cantou o pai-nosso.
Agenda
Durante sua viagem ao país, Bento 16 vai celebrar missas em estádios de
Washington e Nova York, visitar o marco zero [área onde ficavam as torres do
World Trade Center destruídas nos atentados de 11 de setembro de 2001],
encontrar com representantes de outras religiões e fazer um discurso na
Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Nesta quinta-feira (17), Bento 16 vai celebrar uma missa no Estádio Nacional de
Washington. Segundo a agência de notícias Efe, a arquidiocese de Washington
emitiu 46 mil ingressos para a celebração. Durante o dia, o papa também vai se
reunir com representantes da Igreja Católica e de outras religiões.
Na sexta-feira (18), Bento 16 embarca para Nova York, onde pronunciará um
discurso na Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Entre as
atividades do dia, o papa também terá um encontro ecumênico na igreja de St.
Joseph.
No sábado (19), o papa celebra uma missa com os sacerdotes, religiosos e
religiosas na Catedral de St. Patrick, almoçará com bispos da arquidiocese e
encontrará com jovens e seminaristas.
No domingo (20), último dia da viagem de Bento 16 aos EUA, o papa visitará o
marco zero e também vai celebrar uma missa no estádio dos Yankees. Ele embarca
para Roma à noite.
Segurança
Esta é a primeira viagem do chefe da Igreja Católica aos EUA desde os atentados
de 2001 e a segurança é muito mais rígida que durante a visita do antecessor,
João Paulo 2º, ao país.
A polícia trabalhará em estreita colaboração com os serviços secretos e membros
da Guarda Suíça, responsáveis pela proteção do papa, durante os seis dias da
estadia do pontífice.
Papa Bento 16 caminha ao lado do presidente dos EUA, George W. Bush, e da
primeira-dama, Laura, ao chegar à base aérea Andrews
O número de oficiais não foi revelado, mas a polícia anunciou que incluirá
homens-rã no East River, franco-atiradores nos terraços, helicópteros e carros
blindados.
Ao contrário da primeira visita do João Paulo 2º ao país, que em 1979 presidiu
uma missa em parque aberto no sul de Manhattan, a entrada dos eventos será
estritamente controlada. Além da verificação das identidades, serão instalados
detectores de metais em todos os eventos da visita.
Os grandes desafios para a polícia serão a missa do papa em dois estádios, em
Washington em 17 de abril, e no estádio dos Yankees, em Nova York, três dias
mais tarde.
A segurança nos dois locais será grande, com ingressos de entrada
intransferíveis com códigos de barra. O FBI exige que os fiéis compareçam seis
horas antes do início das cerimônias.
Com France Presse
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