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China recusa pedido de
desculpas da rede de TV CNN
s, em Pequim
A China recusou o pedido de desculpas da rede de televisão norte-americana CNN
sobre os comentários de um de seus comentaristas, enquanto uma onda de ataques
verbais na mídia internacional levanta preocupações sobre a cobertura da
Olimpíada de Pequim, em agosto.
A porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Jiang Yu, rejeitou a
explicação da CNN de que seu comentarista Jack Cafferty estava se referindo aos
líderes chineses --e não ao povo da China-- quando descreveu-os como um "bando
de criminosos". A CNN estendeu seu pedido de desculpas a todos que pensaram o
contrário.
"O seu comunicado [da CNN] não foi um pedido de desculpas sincero por seus
comentários, mas tentou lançar o ataque [do comentarista] ao governo chinês para
tentar criar uma divisão entre o governo e seu povo. Por isso, neste ponto, nós
não podemos aceitar o pedido de forma alguma", disse Jiang em uma coletiva de
imprensa.
Na noite desta quarta-feira, o chefe do departamento de informação do ministério
exigiu que o chefe-executivo da CNN em Pequim divulgasse um protesto público
contra os comentários.
Chineses em seu país e em outros lugares do mundo acusaram a mídia ocidental de
fazer uma cobertura parcial dos protestos anti-governo no Tibete e em todo o
oeste da China no último mês.
A CNN tem sido criticada pelo governo e ativistas chineses que telefonaram e
mandaram e-mails com ameaças de morte aos seus repórteres. A rede atraiu as
críticas depois que a rede editou uma foto que mostrava tibetanos atirando
pedras em seguranças chineses.
Crítica
Muitos sites de internet criticaram a cobertura das notícias no Tibete,
incluindo um site intitulado anticnn.com, que foi criado especialmente para
apontar os erros e parcialidades da cobertura da imprensa.
Na China, a CNN e outros canais internacionais podem ser vistos apenas em
hotéis, escritórios e outros lugares abertos a estrangeiros, o que indica que
poucos chineses efetivamente ouviram os comentários de Cafferty.
A censura também bloqueou muitos sites estrangeiros na Internet, o que aponta a
ironia dos protestos: eles se dizem ultrajados pelos relatos da mídia
internacional que o governo não permite que o povo veja.
A mídia chinesa, controlada pelo governo, uniu-se ao tom crítico de seus
oficiais e repercutiu as críticas à CNN nos principais jornais e canais de
televisão nesta quinta-feira.
Um editorial assinado em um dos jornais comunistas do país atacou o que chamou
de "violência verbal" de Cafferty. "Quando as pessoas acordam e encaram os
fatos, não haverá mais mercado para a "informação terrorista", dizia o
editorial.
Pequim
As críticas à mídia ocidental renovaram as preocupações sobre censura da
imprensa durante a cobertura da Olimpíada de Pequim, quando milhares de
repórteres estrangeiros devem chegar à cidade para cobrir os jogos de agosto.
O governo de Pequim prometeu respeitar as regras de cobertura internacionais,
mas violou repetidamente estas promessas quando deteve e baniu jornalistas.
Na quarta-feira, a Federação internacional de Jornalistas enviou comunicado
dizendo estar preocupada com as ameaças contra jornalistas e "um aumento na
violação das promessas de deixar a mídia trabalhar sem interferência".
"É hora de diminuir a temperatura e começar a falar sobre um jornalismo mais
seguro e retirar os repórteres da troca de fogo política", disse Aidan White,
secretário-geral da Federação.
Jiang disse que a China honrará seus compromissos durante a Olimpíada e
"facilitará a cobertura e o trabalho de reportagem da mídia internacional na
China".
Contudo, ela disse também que a liderança comunista, que mantém o controle sobre
toda a mídia local, espera que os repórteres "sigam os princípios da
objetividade e justiça para que seu trabalho concreto mostre suas éticas
profissionais de jornalismo".
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