|
Países ricos incentivam imigração de "alto
nível"
NÉLI PEREIRA
Brasil, em Londres
Enquanto países desenvolvidos estão fechando o cerco para imigrantes ilegais,
programas para atração de profissionais com alta qualificação se consolidam
sobretudo nos de língua inglesa como Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e
Canadá.
Por um lado, os três primeiros dessa lista barraram nas fronteiras ou deportaram
um total de 1,3 milhão de "indesejáveis" em 2006. Por outro, deram boas-vindas,
por meio de programas especiais, para cerca de 155 mil imigrantes qualificados
no mesmo ano.
A maior parte dos expulsos (1,2 milhão de pessoas) saiu dos Estados Unidos. O
país, no entanto, concedeu visto de trabalho a 37 mil profissionais qualificados
pelo sistema Priority Workers (ou EB1), que não exige oferta prévia de emprego.
Também em 2006 (dados mais recentes disponíveis), o Reino Unido devolveu 97 mil
pessoas e abriu as portas a cerca de 20 mil imigrantes altamente qualificados
por meio de um programa especial que foi reformulado neste ano.
Para a especialista em imigração Jeanne Batalova, do Migration Policy Institute,
nos Estados Unidos, os países desenvolvidos estimulam a imigração de alto nível
para satisfazer a demanda de suas economias e para não ficar para trás na
corrida por talentos que acontece em nível global.
"O principal desafio para Reino Unido, Austrália, Canadá, Estados Unidos e
outros países que recebem imigrantes é se certificar de que os estrangeiros irão
se integrar aos mercados de trabalho nacionais e que seus talentos não serão
disperdiçados pelos empregadores", disse Batalova à BBC Brasil.
Pontos
A nova versão do programa britânico segue os moldes do programa australiano.
O sistema divide os imigrantes em cinco categorias e exige que eles atinjam uma
determinada pontuação, baseada em suas habilidades e potenciais benefícios para
a economia do país.
Cada governo estipula uma soma mínima que o imigrante em potencial deve atingir
em diversos critérios como renda no país de origem, domínio da língua,
experiência e qualificação profissional. Caso consiga atingir o patamar mínimo,
o governo permite a estada do imigrante por um período determinado, que pode ser
renovado.
Após receber 98 mil imigrantes em 2006, a Austrália abriu, para o período de
2007/ 2008, 152,8 mil vagas para o General Skilled Migration Programme (GSM, na
sigla em inglês).
Em 2006, dados do governo australiano indicam que dos 714 brasileiros que
fizeram pedido de visto para o país, 320 pediram através do GSM. O governo não
informou quantos foram aprovados.
O contador brasileiro Lucas Ramos, 24, está no país por meio do programa. Ele
disse à BBC Brasil que a principal dificuldade para se conseguir o GSM é a
burocracia. "A quantidade de documentos e formulários a serem preenchidos é
enorme. São necessários vários papéis, inclusive emitidos no Brasil", afirmou.
No Canadá, as portas também estão abertas para quem pretende imigrar e tem boa
qualificação profissional e acadêmica. Em 2006, 105,9 mil imigrantes
qualificados foram aprovados pelo programa de pontuação canadense.
Mesmo nos EUA, onde as políticas migratórias se tornaram mais restritivas desde
os atentados de 11 Setembro, o número de imigrantes qualificados é expressivo.
Dados do Censo de 2000 indicam que um em cada cinco médicos no país é
estrangeiro, assm como um em cada cinco especialistas em computação, um em cada
seis engenheiros e um em cada quatro astrônomos, físicos e químicos.
O governo americano se ajustou às mudanças no padrão de imigrantes no país e
estabeleceu regras para os imigrantes qualificados por meio do programa
Employment Based Immigration.
Para garantir a eficácia dos programas para receber imigrantes qualificados,
cada país molda o sistema de acordo com as características do mercado de
trabalho nacional.
|