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Total de mortos em ciclone pode chegar a 10
mil em Mianmar, diz ministro
Os mortos pela passagem de um ciclone tropical
que atingiu Mianmar no último sábado (3) --que já se aproximam dos 4.000-- podem
chegar a 10 mil, informou o ministro de Relações Exteriores mianmarense, Nyan
Win, de acordo com fontes diplomáticas.
Segundo diplomatas, Win levantou a possibilidade durante reunião com
representantes da ONU (Organização das Nações Unidas) e de agências
internacionais de ajuda humanitária.
"O número confirmado de vítimas é de 3.934 mortos, 41 feridos e 2.879
desaparecidos em Yangun e na região do delta de Irrawaddy, no litoral do país",
informou a rede MRTV nesta segunda-feira.
A contagem de mortos informada anteriormente era 351, mas o número subiu
dramaticamente depois que autoridades locais contataram as ilhas e vilas mais
atingidas da área de Irrawaddy. Segundo a MRTV, o número de vítimas do ciclone
ainda pode subir.
"O delta de Irrawaddy foi extremamente atingido, não apenas por causa dos ventos
e da chuva, mas por causa de uma tempestade", disse ontem Chris Kaye,
coordenador da ação humanitária da ONU (Organização das Nações Unidas) em Yangun.
O ciclone atingiu o sul do país e destruiu milhares de casas. Em várias regiões,
o fornecimento de energia foi interrompido, linhas telefônicas foram cortadas e
a queda de árvores bloqueou estradas.
Testemunhas em Yangun, cidade de cerca de 5 milhões de habitantes, disseram que
a tempestade levou o telhado de centenas de casas, causou danos a hotéis,
escolas e hospitais, e suspendeu o fornecimento de energia para toda a cidade.
Longas filas se formaram nos postos de gasolina da cidade, a maior de Mianmar. O
preço de um galão de petróleo dobrou no mercado negro. Os preços de vários
alimentos triplicaram desde sábado.
Ajuda humanitária
De acordo com a rede de TV, agências humanitárias relataram que centenas de
milhares de pessoas estão desabrigadas e sem acesso à água potável no país do
sudeste asiático.
Barry Broman/AP

Monge budista passa por árvore derrubada pela passagem do ciclone Nargis em
Yangun
Segundo Michael Annear, chefe da equipe de emergências da Cruz Vermelha
Internacional (CICV), mantimentos foram entregues às vítimas, mas há necessidade
de mais ajuda.
A Organização Mundial da Saúde, a Unicef e outras agências da ONU se reuniram
nesta segunda-feira em Bancoc, na Tailândia, para examinar a situação e
coordenar um plano de ação que incluirá reabrir estradas bloqueadas para
facilitar o acesso às áreas necessitadas. Os cortes nas linhas telefônicas e a
ausência de internet, que só deve voltar a funcionar em três dias, também
dificultam os trabalhos.
"Sabemos que centenas de milhares foram atingidos, mas não temos um número
certo", disse Richard Horsey, do escritório local da ONU, à agência Reuters após
o evento em Bancoc.
O escritório da ONU em Yangun informou que há necessidade urgente de sacos
plásticos, purificadores de água, equipamentos de cozinha, redes para mosquitos,
remédios e comida.
De acordo com o escritório, a situação em Yangun é "crítica", com maior urgência
para a necessidade de "abrigo e água potável".
Vítimas
Neste domingo, cinco regiões do país foram declaradas como áreas de desastre
após a passagem do ciclone --cujos ventos atingiram até 190 km/hora. As
informações eram que cerca de 75% das construções da localidade de Labutta
haviam sido destruídas.
Barry Broman/AP

Mianmarenses se aglomeram em frente a resturante destruído pela passagem do
ciclone
Na ilha de pescadores de Haing Gyi, soldados e equipes de voluntários civis
encontraram outras 109 pessoas mortas.
Em Day Da Ye, uma aldeia a cerca de 64 quilômetros ao sudoeste de Yangun,
dezenas de corpos seguem abandonados pelas ruas da região.
O Exército local, que governa Mianmar há 46 anos, não divulgou um apelo
internacional por ajuda desde que o ciclone de categoria 3 atingiu o país, com
ventos de até 190 km/h.
Apesar dos grandes danos, a Junta Militar declarou hoje que mantém seus planos
de realizar, no próximo sábado (10), o plebiscito sobre a minuta constitucional
no qual trabalhou desde 1993, sem consultar a oposição democrática.
"Faltam poucos dias, e a população quer votar", disse o jornal estatal "Myanmar
Ahlin".
Tailândia
Em resposta à tragédia, a Tailândia enviou um avião de transportes C-130
carregado com nove toneladas de alimentos e remédios para Yangun, após a
reabertura do aeroporto.
O jornal estatal "New Light od Myanmar" informou neste domingo que o aeroporto
internacional de Yangun havia sido fechado, e que os vôos domésticos estavam
sendo desviados para a cidade de Mandalay, 560 km ao norte.
O último grande ciclone a atingir a Ásia foi o Sadr, que matou 3.000 em
Bangladesh em novembro do ano passado.
com Associated Press, Efe e Reuters
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