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Ciclone deixa 1 milhão de desabrigados em Mianmar;
ajuda começa a chegar
A ajuda humanitária começou a chegar em Mianmar nesta terça-feira, mas a área
mais atingida, o delta do rio Irrawaddy, onde quase 22 mil morreram, segue
praticamente isolada do mundo quatro dias após ventos, enchentes e ondas
devastarem a região densamente povoada.
Rota percorrida pelo ciclone Nargis em Mianmar durante o último sábado (03)
Com mais de 40 mil desaparecidos e cerca de um milhão de desabrigados, a
comunidade internacional luta para ajudar o país, controlado por uma junta
militar que normalmente impede a entrada e circulação de autoridades
estrangeiras.
O Programa Mundial de Alimentação da ONU (WFP, na sigla em inglês), disse nesta
terça que começou a distribuir alimentos em Yangun, a maior cidade, para onde
800 toneladas de comida foram enviadas.
No entanto, o WFP declarou que as áreas costeiras mais atingidas --como o delta
do Irrawaddy-- continuam isoladas devido a enchentes e aos danos causados nas
estradas.
Conseqüências
Os quase 6,5 milhões de moradores de Yangun seguem sem eletricidade pelo quarto
dia seguido, enquanto o fornecimento de água foi restabelecido em algumas áreas.
Alguns birmaneses precisam esperar nove horas para abastecerem seus veículos.
AP

Vista aérea da devastação causada pelo Nargis em local desconhecido em Mianmar,
quatro dias após sua passagem
Monges budistas e freiras católicas com facões e machados se uniram à população
para remover grandes árvores que caíram em Yangun, enquanto muitos soldados
também ajudavam a retirar as árvores de até 4,5 metros de diâmetro.
Os organismos humanitários internacionais se mostram cada vez mais preocupados
com a de falta de comida, água e abrigo no delta, assim como com doenças em um
país com um dos piores sistemas de saúde do mundo.
"Nosso maior medo é que as conseqüências possam ser mais letais que a tempestade
em si", afirmou Caryl Stern, chefe da agência da ONU para crianças (Unicef) nos
EUA.
EUA
O presidente dos EUA, George W. Bush, pediu à junta militar do país que permita
aos EUA fornecer auxílio, dizendo que Washington está preparado para enviar a
"Marinha norte-americana para ajudar a encontrar aqueles que perderam suas vidas
e para ajudar a estabilizar a situação".
Os militares de Mianmar, que acusam os EUA de tentarem subverter o regime,
dificilmente irão permitir a presença militar americana em seu território.
Porém, dada a gravidade da situação, o governo pediu por ajuda externa e
anunciou nesta terça que irá adiar o referendo sobre a nova Constituição,
previsto para o próximo sábado, nas áreas mais atingidas.
A rádio estatal disse nesta terça que o referendo sobre a proposta de
Constituição feita pelos militares será adiada para o dia 24 de maio em 40 de 45
cidades portuárias na área de Yangun e em sete cidades do delta. Segundo a
rádio, a votação no próximo sábado será mantida nas outras regiões do país.
Defensores da democracia, como a líder política presa Aung San Suu Kyi, afirmam
que a Constituição é uma ferramenta para perpetuar o poder na mão dos militares,
que tem se tornado cada vez mais impopulares pela população.
A falta de avisos sobre a chegada da tempestade e a reação precárias das
autoridades após o ciclone devem aumentar a insatisfação com o governo.
A rádio estatal afirmou que a maioria dos 22.464 que morreram, assim como dos 41
mil desaparecidos, estão na região do delta, sendo que 671 teriam morrido na
área de Yangun.
No entanto, não há levantamentos independentes do número de vítimas.
com Associated Press
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