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ONU acusa Junta Militar de confiscar ajuda
humanitária em Mianmar
A ONU (Organização das Nações Unidas) ameaçou nesta sexta-feira suspender o
envio de alimentos e remédios para as vítimas do ciclone Nargis, que atingiu
Mianmar há seis dias, matando mais de 23 mil pessoas, acusando a Junta Militar
confiscou os mantimentos.
"Todos os alimentos e equipamentos que conseguimos enviar foram confiscados",
disse Paul Risley, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (WFP, em inglês),
da ONU em Bancoc.

"A frustração causada pelo que aparentemente é um atraso desnecessário é algo
sem precedentes no envio de ajuda humanitária", disse Risley. "É algo
espantoso".
A carga confiscada incluiria 38 toneladas de biscoitos energéticos-- chegou a
Mianmar em dois vôos da ONU vindos de Dacca (Bangladesh) e Dubai (Emirados
Árabes Unidos).
O diretor regional do WFP, Tony Banbury, fez um apelo para que a Junta liberasse
os artigos.
"Por favor, estes alimentos serão entregues a pessoas que necessitam muito. Nós
e vocês temos os mesmos interesses. Essas vítimas que precisam de assistência
não fazem parte do diálogo político. Eles precisam de ajuda humanitária. Por
favor, liberam a carga", afirmou Banbury em uma mensagem gravada pela TV da
agência de notícias Associated Press.
Devido ao suposto confisco, a ONU ameaçou suspender o envio de ajuda a partir
deste sábado, mas voltou atrás em seguida. Autoridades mianmarenses também
teriam se recusado a expedir vistos para que funcionários estrangeiros chegassem
às áreas atingidas.
Um porta-voz da Junta Militar, Ye Htut, disse que a carga foi levada pelas
autoridades locais para ser distribuída de acordo com a necessidade, "sem
qualquer atraso". "Gostaria de saber que pessoa ou organização fez essas
acusações sem embasamento", disse ele à AP.
Vítimas
Enquanto isso, os cerca de 1 milhão de desabrigados continuam à espera de
comida, abrigo e remédios. Muitos estão alojados em monastérios budistas ou em
barracas ao ar livre.
Segundo a imprensa local, 23.335 pessoas morreram e 37.010 estão desaparecidas.
De acordo com Shari Villarosa, chefe da Embaixada dos EUA em Yangun, o número de
mortos pode exceder os 100 mil.
Também hoje, três vôos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) levando
mantimentos chegaram a Mianmar sem contratempos.
"Não estamos tendo problemas no envio de ajuda, ao contrário da ONU", disse o
porta-voz da organização na Dinamarca, Hans Beck Gregersen, à AP.
Segundo ele, o CICV enviou 300 kits de abrigo, além de outros equipamentos de
emergência.
Com Associated Press
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