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Governador eleito do Paraguai defende queima de bandeira do Brasil

da Efe, em Assunção

O governador eleito de San Pedro, José Ledesma, defendeu nesta sexta-feira a queima de uma bandeira do Brasil no centro do Paraguai e afirmou que quando assumir o poder, em agosto, será "implacável" com os plantadores brasileiros de soja nesta região.

Ledesma, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segunda força política do país e principal aliado político do presidente eleito, o ex-bispo Fernando Lugo, disse em guarani que "é pior matar camponeses do que queimar um pedaço de pano".

Na quinta-feira, um grupo de camponeses da Coordinadora Productores Agrícolas San Pedro Norte (Coordenação de Produtores Agrícolas de San Pedro Norte, em tradução livre), liderada por Elvio Benítez, queimou uma bandeira brasileira durante um ato realizado por ocasião do Dia da Independência na colônia Curupayty, 350 quilômetros ao norte de Assunção.

Benítez, também próximo a Lugo, afirmou na ocasião que "milhares de hectares estão nas mãos destes estrangeiros (brasileiros) que traficam toras (de madeira), carvão e ultimamente envenenam toda a população".

"É injusto que um brasileiro tenha 50 mil hectares de terra aqui no Paraguai e que os paraguaios não tenham um pedaço", declarou Ledesma, produtor de banana de San Pedro, região mais pobre do país e na qual Lugo foi bispo por uma década.

Independência

O governador eleito apoiou também o ato, considerado como o início da "segunda independência" por seus organizadores e no qual os estudantes usavam boinas ao estilo de Che Guevara e os camponeses facões no ombro como se fossem fuzis.

Ledesma afirmou que a partir de 16 de agosto, dia seguinte à posse de Lugo e das autoridades legislativas e regionais eleitas no pleito de 20 de abril, "vai ser implacável com os estrangeiros para que sejam respeitadas as leis nacionais".

A manifestação camponesa foi realizada nas proximidades de uma fazenda do produtor de soja brasileiro Ulisses Teixeira, dono de 35 mil hectares de terra.

Em San Pedro, nas últimas semanas, grupos de camponeses que respondem a Benítez se mobilizaram, assim como a Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOC), uma das mais radicais do setor e que acusa os produtores brasileiros de soja de fumigações indiscriminadas.

A MCNOC integra, ao lado de outros grupos sociais, sindicais, indígenas e de esquerda e nove partidos políticos, a Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que levou Lugo ao poder e deu fim à 61 anos de hegemonia do Partido Colorado.

Ledesma explicou que não deseja que os brasileiros "vão embora do Paraguai", mas que se adeqüem "às leis vigentes" e reafirmou que, a partir de agosto, vai "exigir que o paraguaio recupere a dignidade e seja respeitado".

"É preciso recuperar a terra e entregar aos paraguaios. Os brasileiros vêm, têm de tudo e mandam matar. Quantos paraguaios já morreram por se aproximarem de uma propriedade de brasileiros", concluiu Ledesma.



 

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