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Crise do lixo em Nápoles se agrava em meio a
protestos
ASSIMINA VLAHOU
BRASIL, em Roma
Após mais uma noite em que a população revoltada incendiou pilhas de lixo
espalhadas pela cidade de Nápoles, a União Européia (UE) alertou a Itália, nesta
segunda-feira, para os altos riscos que a população local corre se as 3,5 mil
toneladas de dejetos espalhadas pela cidade não forem recolhidas com urgência.
A Comissão para o Meio Ambiente da UE já tinha entrado com um processo contra a
Itália na Corte Européia no começo de maio por causa da crise do lixo.
"Não podemos esperar a sentença da Corte, as autoridades italianas devem agir
rapidamente para resolver uma situação que apresenta altos riscos para a saúde
pública", disse a porta-voz da comissão, Bárbara Hellferich, para a agência de
notícias Ansa.
A situação voltou a se agravar no fim de semana porque houve uma interrupção do
carregamento de lixo para a Alemanha; a quantidade de lixo espalhada pela cidade
chegou a 5 mil toneladas no sábado.
Revoltadas, algumas pessoas atearam fogo às pilhas de lixo que se acumulavam
pela cidade. Apenas entre domingo e segunda-feira, 75 incêndios foram
registrados.
Em outros protestos, linhas ferroviárias foram bloqueadas.
Ratos
O presidente da ordem dos médicos de Nápoles, Giuseppe Scalera, confirmou que a
situação sanitária é grave. Ele disse ao jornal "La Repubblica", que "o número
de ratos está aumentando, com risco de transmissão de doenças como a
leptospirose, além dos problemas provocados pela dioxina emitida pelo lixo
queimado".
Depois da colheita no fim de semana, a empresa que recolhe o lixo da cidade
informou que atualmente a quantidade de dejetos espalhados pelas ruas é de 3,5
mil toneladas.
A crise do lixo em Nápoles é uma das prioridades do novo governo, que toma posse
nesta quarta-feira. A primeira reunião do conselho de ministros será realizada
em Nápoles, conforme anunciado pelo novo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi,
assim que ele ganhou as eleições em abril passado.
Nesta reunião, o premiê deve anunciar as medidas que seu governo pretende tomar
para resolver o problema do lixo, antes que o calor aumente, o que poderia
agravar a situação sanitária.
Entre as medidas previstas estariam a criação de novos aterros sanitários e
lixões e a construção de depósitos de tratamento de lixo, além da participação
do Exército na retirada dos dejetos das ruas.
O Exército já tinha sido utilizado para ajudar a recolher parte das 250 mil
toneladas de lixo acumuladas em Nápoles e em outras cidades da região em janeiro
passado, no auge da emergência.
Em vista da primeira reunião do governo de Silvio Berlusconi na cidade, diversos
grupos napolitanos anunciaram manifestações, bloqueios de estradas e ferrovias,
além de uma passeata, para protestar contra o problema do lixo.
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