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Morte de Marulanda é o começo do fim das
Farc, diz chanceler colombiano
O chanceler colombiano, Fernando Araújo, afirmou
nesta segunda-feira que a morte de Manuel Marulanda, conhecido como Tirofijo
(tiro certeiro), "é o começo do fim" das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia).
"É o começo do fim para as Farc, são golpes e incidentes que vão se sucedendo
cada vez mais rápido", disse Araújo, em Bogotá, à emissora Radioprogramas del
Peru.
"O país vê com esperança o colapso desta organização narcoterrorista, que
durante 44 anos tem enchido a Colômbia de terror e dor. Já começamos a ver a luz
no outro lado do túnel", afirmou.
Ricardo Mazalan/AP
Manuel Marulanda, o Tirofijo (tiro certeiro)
O chanceler ressaltou que a morte de Marulanda junta-se a outros acontecimentos
como a morte recente do número dois da organização Raul Reyes --em um bombardeio
a um acampamento das Farc em território equatoriano, que deu início a um
conflito diplomático entre Colômbia, Equador e Venezuela-- e de Iván Ríos, que
integrava o "secretariado" (cúpula) das Farc.
Araújo relembrou também que há duas semanas, uma importante chefe guerrilheira
conhecida como "Karina", se entregou ao governo. Segundo ele, ela teria
"espalhado muito terror, durante muitos anos e era um pouco emblemática".
Segundo o chanceler, a política do presidente Álvaro Uribe está dando
resultados, com a desmobilização de mais de 10 mil integrantes das Farc.
Reestruturação
A cúpula das Farc, integrada por sete guerrilheiros, mais dois suplentes, foi
reestruturada pelo grupo após a morte de três de seus líderes em março passado.
O comandante rebelde Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timoleón Jiménez
ou Timochenko, confirmou neste domingo (25), em um vídeo transmitido pela rede
de televisão Telesur, a morte do líder e fundador das Farc, Tirofijo, no dia 26
de março, vítima de um infarto.
Além disso, anunciou que Guillermo León Sáenz, conhecido como Alfonso Cano, um
antropólogo quase sexagenário e considerado um dos ideólogos da guerrilha, foi
nomeado "unanimemente" como novo comandante do secretariado das Farc.
Timochenko também informou que Pablo Catatumbo ingressa como membro pleno da
cúpula, enquanto Bertulfo Álvarez e Pastor Alape servirão como suplentes.
Os analistas concordam que Tirofijo era quem, apesar de seus 77 anos, comandava
o movimento ilegal. Por isso, sua morte, que se soma à de outros dois dirigentes
no mesmo mês, deixa a direção do grupo insurgente em um estado mais difícil.
A desestabilização da cúpula começou no dia 1º de março com a morte de Luis
Edgar Devia, conhecido como Raúl Reyes e número dois no comando das Farc, em um
bombardeio a um acampamento rebelde no Equador.
Seis dias depois, outro líder, Manuel de Jesús Muñoz ou José Juvenal Velandia,
conhecido como Ivan Ríos, foi assassinado por seu próprio chefe de segurança.
Finalmente, a morte de Pedro Antonio Marín, verdadeiro nome de Tirofijo ou
Manuel Marulanda, no dia 26 de março, representa o ponto de ruptura da cúpula,
que enfrenta seu maior processo de reestruturação desde sua criação há 44 anos.
Líder
Segundo comunicado divulgado neste domingo (25), as Farc nomearam Alfonso Cano
como novo líder. A declaração foi divulgada junto da nota que reconheceu a morte
do líder máximo do grupo Manuel Marulanda. Cano é considerado o líder ideológico
e da tendência moderada da guerrilha.
O guerrilheiro, que tem cerca de 50 anos, estudou Direito em uma universidade
pública e era até então o ideólogo político e coordenador do bloco ocidental das
Farc, que atua no sudoeste da Colômbia.
Alfonso Cano entrou para as Farc após militar nos anos 70 na juventude do
Partido Comunista, do qual chegou a ser um dos principais líderes. Foi preso
três vezes quando era dirigente estudantil, após uma série de protestos na
Universidade Nacional.
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