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Com 68 mil mortos, China luta para manter estradas abertas

da Folha Online

A China se esforça para manter as estradas abertas a fim de continuar levando ajuda aos sobreviventes, enquanto o governo chinês afirma que a reconstrução após o terremoto será "árdua". O último balanço das vítimas informa que mais de 68 mil pessoas morreram e outras 364 mil ficaram feridas com o tremor.

O terremoto de 7,9 graus que abalou a montanhosa Província de Sichuan no último dia 12 causou deslizamentos de terra e rochas, que bloquearam estradas, dificultando os serviços de ajuda e resgate, e represaram rios, que rapidamente se tornaram lagos.

"Corremos contra o tempo para reparar a infra-estrutura danificada", disse Hu Mong, vice-diretor da Comissão de Desenvolvimento e Reforma Nacional, principal órgão de planejamento econômico do país, acrescentando que algumas estradas só foram recuperadas de forma temporária.

"O alto risco de deslizamentos tornam nossos esforços mais difíceis", afirmou, citado pela agência Associated Press.

Reconstruir a infra-estrutura é apenas uma parte do esforço de recuperação que, conforme autoridades afirmaram anteriormente, precisará de três anos. "Devido à imensa magnitude de perdas causadas pelo tremor, a recuperação da produção e a reconstrução da zona atingida pelo terremoto será árdua no futuro próximo", declarou a comissão, em comunicado.

Lagos

Na zona do desastre, cerca de 158 mil pessoas foram removidas, e dezenas de vilas esvaziadas, caso a barreira natural do lago Tangjiashan, formado com o tremor, se rompa antes que soldados e engenheiros possam drenar a água, segundo a imprensa estatal. Cerca de 35 lagos se formaram com o terremoto, mas o Tangjiashan é o maior e o que apresenta maior risco.

O lago contém atualmente 139 milhões de metros cúbicos de água e sobe cerca de um metro a cada 24 horas, segundo a Xinhua.

Os militares usaram explosivos para explodir pedaços de troncos que impedem o trabalho de escavadeiras, levadas pelo governo de helicóptero ao Tangjiashan, a cerca de 3,2 km da devastada cidade de Beichuan.

Zhu Wei/AP

Em imagem fornecida pela Xinhua, o lago Tangjiashan, formado por deslizamentos criados com tremor que matou mais de 68 mil

Quarenta máquinas, incluindo escavadeiras, estão no local, inacessível por estradas, e centenas de militares trabalham na escavação do canal de drenagem, de acordo com a agência oficial Xinhua.

Yang Hailiang, que chefia a operação, disse que as equipes estão fazendo progressos significativos graças ao tempo bom, e que um terço do trabalho foi concluído, segundo a Xinhua.

A vila de Tongkou, ao lado do rio, foi esvaziada e seus habitantes foram levados a um acampamento em terras mais altas, mas voltam todos os dias para cuidar de suas plantações.

"Se a água descer com o rompimento da barreira, alguém lançará fogos de artifício como um sinal de alerta para que possamos correr montanha acima, disse Wang Hongyun, morador da vila. "Enquanto não vier o alerta, continuaremos cuidando de nossas plantações.

Vítimas

De acordo com os dados divulgados hoje, 68.109 pessoas morreram, 364.552 ficaram feridas e outras 19.851 continuam na lista de pessoas desaparecidas após o terremoto, considerado o mais devastador em 30 anos. Mais de 45 milhões de pessoas foram afetadas pelo tremor e cerca de 15 milhões foram realocadas.

Os hospitais receberam 85.722 feridos, dos quais 55.514 foram liberados, enquanto 15.394 continuam hospitalizados e outros 6.928 foram transferidos para outras partes da China para receber tratamento.

O escritório disse que 92.131 membros de equipes médicas participaram dos trabalhos de ajuda na Província de Sichuan.

Um total de 243 réplicas do tremor foram monitoradas nas 24 horas que se encerraram nesta quarta-feira à noite (horário local), de acordo com o escritório sismológico da China.

O número inclui um tremor de 5,7 graus na escala Richter no Condado de Ningqiang, na Província de Shaanxi, na terça-feira (27), e um tremor de 5,4 graus na escala Richter que atingiu o Condado de Qingchuan, na Província de Sichuan.

Outras três réplicas com intensidades entre 4 e 4,9 graus na escala Richter e 238 tremores menores também foram monitorados nessas 24 horas.

Até esta quarta-feira, 8.911 réplicas foram detectadas nas áreas atingidas pelo terremoto desde o último dia 12 de maio.

Até agora, nenhuma epidemia ou emergência médica foi registrada nas áreas atingidas, informou nesta quarta-feira o Ministério da Saúde.



 

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