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Obama precisa acertar contas com Hillary
antes de confrontar McCain
da Folha Online
Como Bill Clinton, a senadora Hillary Clinton tem uma habilidade excepcional de
se manter no centro das atenções mesmo nos momentos mais improváveis. Obama terá
de levar em conta os cerca de 18 milhões de votos que Hillary teve nas primárias
e conversar com a senadora antes de partir com força para o debate nacional
contra o republicano John McCain.
Na terça-feira à noite, quando se declarou o candidato do Partido Democrata,
Obama mais uma vez fez elogios a Hillary, algo que se repete em seus últimos
discursos, num claro sinal de que quer chegar a um acordo para capitalizar o
prestígio e os votos da rival --ela tem uma parcela de eleitores muito fiéis a
sua "bravura" de ir até o fim nas eleições primárias.
A senadora, por sua vez, também teceu elogios a Obama em seu discurso de vitória
na prévia de Dakota do Sul na terça-feira, e disse que conversaria com
lideranças do partido para decidir seu papel daqui para adiante.
Segundo reportagem do jornal "The New York Times" nesta quarta-feira, Hillary
deixou claro que está aberta a ser a vice na chapa de Obama.
Na semana passada, três integrantes da Cúpula do partido haviam dito que
trabalhariam para que os democratas chegassem a um consenso sobre quem seria o
candidato da legenda assim que terminassem as primárias, com o intuito de
unificar a legenda.
Os discursos conciliadores de Obama e Hillary dão indícios de que nos bastidores
já há uma direção sendo tomada pelo partido e conversas entre integrantes das
campanhas de ambos, o que aumenta as especulações sobre a "chapa dos sonhos",
que teria Hillary como vice na chapa de Obama.
Em termos estritamente de propostas políticas, os dois democratas tem
plataformas muito parecidas, o que leva muitos analistas a afirmarem que a chapa
"dos sonhos" na verdade é uma possibilidade bastante "real".
Obama x McCain
O senador pelo Estado de Illinois Barack Obama entra nas eleições gerais com uma
vantagem declarada: ele é um candidato democrata que enfrentará um candidato de
um Partido Republicano desgastado pelos erros e impopularidade do presidente
Bush.
Por outro lado, McCain já saiu na frente de Obama na corrida nacional e fez um
discurso na noite de terça-feira marcando sua posição nos principais temas que
vêm abordando em sua da campanha --economia, política externa, Guerra do Iraque,
aquecimento global e fontes energéticas.
No discurso, McCan lançou um contra-ataque às afirmações de Obama de que ele é
"o terceiro bush". O cenário ao fundo de McCain enquanto discursava falava muito
sobre sua estratégia contra Obama: um fundo verde com a frase escrita
repetidamente: "A leader we can beleave in" --"Um líder em quem podemos
acreditar". A frase é uma resposta que busca desqualificar a principal
plataforma política de Obama: "Change. We can believe in" --Mudança. Nós podemos
acreditar".
Analistas já afirmam que o verde na campanha de John McCain é para associá-lo a
bandeiras ecológicas, como a diminuição do aquecimento global e as questões das
fontes alternativas de energia. Desta forma, O republicano busca dizer que ele é
o verdadeiro líder que olha para o futuro --enquanto acusa Obama de ter
políticas ultrapassadas.
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