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Tremor que matou 69 mil pode acirrar
controle do governo na China
FERNANDO SERPONE
da Folha Online
O uso publicitário do tremor de 12 de maio, o forte nacionalismo e os protestos
anti-China durante a passagem da tocha olímpica contribuem para a imagem do
governo chinês perante a população do país, na opinião de Xu Wenli, um dos
principais defensores da democracia da China, que atualmente vive nos Estados
Unidos.
Boxun.com

Família chinesa da vila de Gaoping chora ao lado de destroços; tremor que matou
mais de 69 mil pode acirrar controle do governo
"A China é muito boa em propaganda", disse Xu à
Folha Online por telefone dos EUA, onde vive desde 2002, quando foi libertado da
prisão depois de 16 anos. "As pessoas que vivem na cidade só têm acesso às fotos
e artigos fornecidos pela imprensa, controlada pelo governo. Como houve alto
controle sobre a informação, não creio que [o tremor] irá afetar o controle do
governo, e pode inclusive fortalecê-lo", afirma.
O número de mortos no terremoto de 7,9 graus na escala Richter que atingiu a
Província de Sichuan em 12 de maio passa de 69 mil, além de 18 mil desaparecidos
e cerca de 373 mil feridos.
Xu, libertado após pressão internacional devido ao seu frágil estado de saúde
--resultado dos anos no cárcere--, afirma que a China tem usado sabiamente o
nacionalismo, especialmente entre os jovens. "Como o Partido Comunista sempre
fomentou o sentimento de que amar o partido é amar a China, ao criticar o
partido ou o país você se torna um traidor."
Para Xu, os elogios dos líderes mundiais à resposta que a China está dando ao
terremoto também ajuda a melhorar a imagem perante a comunidade internacional.
"O foco da opinião pública mundial está mudando, e o governo chinês é visto de
maneira mais positiva. Creio que os comentários positivos, após as duras
críticas sobre o Tibete e os direitos humanos, reparam as relações com Pequim",
afirma.
Xu diz acreditar que, depois da Revolução Cultural, vê-se agora o surgimento do
"segundo Exército Vermelho", em referência à nova leva de nacionalistas. "De
maneira geral, não sou otimista. O controle por parte do partido deve continuar
por um bom tempo, por causa das mudanças recentes ocorridas na China".
Para ele, entre os diferentes grupos étnicos da China, os mongóis da região
autônoma da Mongólia Interior são os que oferecem maior "ameaça à unidade
territorial do país".
No entanto, os mongóis não contam com o apoio da comunidade internacional, assim
como os tibetanos e os uigurs, que também não têm recursos para se militarizar,
muito menos em grau suficiente para fazer frente ao Exército chinês, considerado
"um dos maiores do mundo".
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